#FaleiPorqueTenhoBoca – Mas e a pirâmide?

dezembro 10, 2014 Deixe um comentário

Hoje, lendo um artigo da BBC News (Abraham Maslow and the pyramid that beguiled business), deparei-me com um parágrafo que julgo interessante “colar” aqui.

While there were no pyramids or triangles in the original paper, Maslow’s hierarchy of needs is now usually illustrated with the symbol. And although the paper was written as pure psychology it has found its main application in management theory.

_69564888_maslow_memeSe você, como eu, ficou curioso, recomendo a leitura.

Particularmente, adorei.

Porque se tem uma coisa que não engoli em uma das disciplinas de um curso que fiz foi que dá para a gente enquadrar (ou “piramidar”) pessoas em um mapinha de motivações. Parece-me simplista por demais e, consequentemente, simplório.

Pessoas são mais complexas e mais ricas do que isso.

E se alguém que prefere acreditar que pode tratar seus liderados com um conjunto de ferramentas saído de uma apostila de um curso MBA pasteurizado ou de uma palestra de algum guru corporativo… esse alguém pode ser qualquer coisa, menos um líder.

#FaleiPorqueTenhoBoca

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[In]Fidelix

Vale a pena ler o que meu amigo Marcelo fala sobre o assunto.
Geralmente, falamos que tal pessoa “tirou as palavras da minha boca”.
Marcelo tirou as palavras do meu coração.

Teologando

A igreja primitiva encontrava seu valor no simples fato de receber de Deus o direito de ser perseguida assim como aconteceu com seu Mestre. Foi o Mestre quem os advertiu: “Se o mundo os odeia, tenham em mente que antes odiou a mim” (Jo 15:18). É interessante, entretanto, que a igreja primitiva parecia entender que a perseguição era injustificada. Ao ser morto a pedradas Estevão bradou: “Senhor, não os consideres culpados deste pecado” (At 7:60), uma expressão muito similar àquela feita pelo próprio Mestre: “Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que estão fazendo” (Lc 23.34). A ira e o ódio contra os cristãos não era merecida, assim como não foi com Cristo. Eles não sabiam o que estavam fazendo, e por isso não deveriam ser culpados por esse pecado. Bons tempos aqueles!

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#FaleiPorqueTenhoBoca O Mercado nas Pesquisas Eleitorais 2014

setembro 30, 2014 Deixe um comentário

Leio por aí: Mercado financeiro se apavora com previsões sobre resultados eleitorais.
Pergunto-me: Esse senhor (o Mercado) é o mesmo que já previu crises que não aconteceram e não previu quedas monumentais, não é?

Fico pensando que é um senhor que vive de especulação. Ou seja, quanto maiores forem as variações – para baixo ou para cima, não importa – maiores são as oportunidades de se fazer dinheiro com isso.
Por isso, penso ser alguém em quem não se deve confiar cegamente.

Aliás… esses tais de bancos são os que têm tido ganhos substanciais entra ano, sai ano; entra partido, sai partido; entra regime, sai regime. Quer dizer: desde sempre.
Me parece claro que este senhor não está preocupado comigo. Nunca esteve.

Aliás, não vejo muita notícia de empresários ou de mercados financeiros preocupados com a quase-certa reeleição do governador do Estado de São Paulo, com gestão, no mínimo, duvidosa e de resultados (negativos) bastante objetivos nos últimos anos.
A propósito, ouvi de um especialista em recursos hídricos que a crise atual no Estado é, sim, resultado de não investimento em reservatórios, obras de infra-estrutura etc. – diferente, por exemplo, do Ceará, que investiu e está melhor equipado e, hoje, sofre menos com a seca do que há alguns anos (embora haja ainda muito o que se fazer por lá).
Então… Mercado não diz que vai cair por causa da perpetuação no governo (aquele que se deve trocar de vez em quando, tal como as fraldas) no estado mais importante economicamente da União.
Acho estranho.

Reflito: Quais são mesmo os interesses desse senhor para eu ficar dando tanta importância assim para as afirmações especulativas de seus arautos?

Enfim… pouco sei. Mas muito desconfio.
Tem alguma coisa errada que não tá certa.

#FaleiPorqueTenhoBoca

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#FaleiPorqueTenhoBoca no Pleito 2014

setembro 3, 2014 Deixe um comentário

Não gosto de falar sobre política eleitoral.

Primeiro, porque pouco consigo articular, segundo porque muito me aborreço.

Mas vou me arriscar. Até porque, no fundo, acho que pouco tem a ver com o pleito deste ano em si. E, por fim, não resisto mesmo.

Pois uma coisa me intriga e outra me incomoda.

Intriga-me um pouco ver candidatos (em todos os níveis, para todos os cargos) buscando “o voto dos evangélicos” (ou “o voto dos cristãos”, para ser um pouco mais ecumênico), adequando seu discurso a essa ou àquela liderança e às suas bandeiras e agendas.

Intriga-me, mas entendo que é parte do jogo. Seria inocência e negação do processo democrático querer que aqueles que pretendem-se representantes do povo não considerem em suas plataformas políticas setores influentes da sociedade (minorias e/ou maiorias, diga-se de passagem) e seus interesses.

Por outro lado, incomoda-me ver o frisson de alguns “religiosos” (precisa ser entre aspas), percebendo-se ou achando-se “a última coca-cola do deserto”, como que dizendo que “agora, esse país vai ser de Deus” porque esse ou aquele candidato alinha-se com seu discurso.

Isso me incomoda. Por duas coisas.

Primeiro, porque, pelo menos do que eu conheço do que Deus reservou aos seus neste mundo, popularidade, sucesso, influência, liderança política e otras-cositas-mas não estavam garantidos no cardápio. Aliás, o capítulo 11 do livro aos Hebreus relata muitos dos chamados “heróis da fé” que…

“… foram torturados, não aceitando o seu livramento, para alcançarem uma melhor ressurreição; E outros experimentaram escárnios e açoites, e até cadeias e prisões. Foram apedrejados, serrados, tentados, mortos ao fio da espada; andaram vestidos de peles de ovelhas e de cabras, desamparados, aflitos e maltratados (Dos quais o mundo não era digno), errantes pelos desertos, e montes, e pelas covas e cavernas da terra. E todos estes, tendo tido testemunho pela fé, não alcançaram a promessa, provendo Deus alguma coisa melhor a nosso respeito, para que eles sem nós não fossem aperfeiçoados.” Hebreus 11:35-40

Segundo, porque entendo que a oportunidade para “… esse país ser de Deus” (ou qualquer outra bravata religiosa) não está necessariamente na urna; está ao meu lado, todo dia, no meu trabalho, na minha escola, na minha família, onde eu tenho o dever diário de encarnar o caráter de Deus através de minhas atitudes e comportamentos, fazendo como o Mestre fez, enfrentando o preconceito, a intolerância, a desigualdade, a injustiça, mostrando uma fé operosa e um amor abnegado, frutos da firme esperança em Cristo Jesus (como escreveu Paulo em sua primeira carta aos Tessalonicenses) e que, sim, tem o poder de mudar o país e o mundo.

Foi assim que os primeiros cristãos espalhavam aquilo que ficou conhecido como sendo a Boa Nova trazida ao mundo por Jesus de Nazaré.

Eu, como cristão, não posso me contentar com menos de mim mesmo.

Espero que o amigo me compreenda. Não pretendi ofender ninguém. Só #FaleiPorqueTenhoBoca.

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Desafios e oportunidades para o futuro da TV paga no Brasil

Há pouco mais de quatro anos, cheguei ao mercado de TV paga.

Naqueles primeiros meses tudo era novidade. Mais do que isso: tudo era surpresa, porque, diferentemente do ambiente anárquico da Internet, em que havia construído minha carreira nos últimos anos, descobri que o mercado de televisão em geral (tanto a TV aberta, como a TV por assinatura) é terreno extremamente controlado por leis, regulamentos, normas e instruções. De certa forma, isso criou um ecossistema em que há muita competição, muito investimento em tecnologia, mas pouco espaço para (usando um termo que anda na moda) “movimentos de disrupção”.

Depois de muito trabalho e crescimento, há alguns meses, decidi encarar uma nova empreitada, à frente da diretoria de Operações de uma nova operadora de TV por assinatura. A iON TV é um projeto diferente, pois vai permitir que muitos operadores locais de telecomunicações (também chamados de provedores de internet) consigam oferecer seu próprio serviço de televisão por assinatura para seus clientes. O foco principal da iniciativa é levar o serviço ao interior do país, que ainda tem baixíssimos níveis de penetração.

O potencial desse empreendimento é que ele aproveita a força da marca local dos operadores regionais de telecomunicação junto às comunidades locais – oferecendo um atendimento diferenciado e personalizado em um serviço “famoso” por sua falta de qualidade e de empatia quando precisa dar qualquer ajuda a seus assinantes. O provedor local, que “toma café na padaria da esquina com seu assinante” conhece mais intimamente o seu consumidor e suas ansiedades.

Por esse motivo, o projeto tem tudo para ser um sucesso.

Mas, como diria um amigo, “se fosse fácil, era na Bahia”. Aliás, é bom dizer que “nem na Bahia” as coisas são fáceis. Há muitos desafios pela frente, até fazer com que o operador local e a iON TV cheguem bem na casa das pessoas e consigam conquistar sua fidelidade.

Os desafios para o parceiro que vai operar com a iON TV resumem-se a um único tópico: o aprendizado!

E esse é um assunto que, no dia-a-dia, fica complexo, porque, neste caso, o aprendizado é um processo que DEVE acontecer em uma via de mão dupla.

Ou seja, se, por um lado, o parceiro precisa aprender a trabalhar com TV por assinatura e suas armadilhas, a iON TV precisa aprender a conviver com a diversidade desses parceiros, que vêm de todos os cantos do país, com suas características e culturas locais, seus momentos econômicos e sociais. E o desafio aí é entender essa diversidade,  desenhar e desenvolver constantemente um produto que realmente tenha valor para cada um desses empreendedores que acreditaram no projeto.  

Mas, de qualquer maneira, para o parceiro operador, o processo de aprendizado pode dividir-se em três grupos principais:

1) Técnico – o menor deles, uma vez que, a partir de um aprendizado a respeito dos requisitos técnicos, dos padrões de ferramentas e equipamentos e das tarefas em si, torna-se algo que passa a fazer parte do dia-a-dia. Aliás, tem muito parceiro iON que já tem ou teve equipes de instaladores de TV por assinatura.

2) Comercial – aqui, os riscos e os esforços passam a ser maiores, porque o novo operador tem de aprender quais são os principais argumentos que podem convencer uma pessoa a assinar um serviço de TV paga e, ato contínuo, vai precisar aprender o que ele precisa fazer para reter / segurar esse assinante, fiel mesmo diante de promoções e de promessas de novos serviços substitutos ou concorrentes que VÃO aparecer, cedo ou tarde. Aliás, esse é um dos pontos mais evidentes nos quais tanto o operador precisa evoluir quanto a iON TV precisa se preparar para ajudar o operador.

3) Ciclo de Desenvolvimento Orgânico – que é uma palavra “rebuscada” para definir a capacidade de trazer toda a força da experiência que o operador já tem no mercado local e, sobretudo, na dinâmica da prestação de serviços de internet para estabelecer uma sinergia com o produto de TV paga, desenvolvendo novas maneiras de se fazer negócio, inovando em ofertas de produtos, em prestação de serviços, de relacionamento e, quem sabe, de mudanças de paradigmas nesse mercado de TV paga do Brasil. Porque quem estiver preparado para inovar e viver com o NOVO vai ser aquele que vai sobreviver no mercado, que está mudando e mudando muito, porque o consumidor está mudando e exigindo uma TV mais de acordo com suas “medidas” e seus “gostos”, algo diferente do modelo de ofertas padronizadas e, até certo ponto, estáticas da TV paga como conhecemos hoje.

É uma grande oportunidade para quem gosta de trabalhar e tem energia para pensar e ousar fazer diferente. Vou à luta, juntamente com mais um grupo de gente competente e que acredita comigo.

Em tempo: Neste ano, participei de um debate no congresso da ABTA 2014 (Associação Brasileira de Televisão por Assinatura). Após o Painel, em meio a muita conversa, com parceiros, fornecedores e gente do meio, fui convidado a falar sobre desafios e oportunidades do projeto. A resposta, publicada em vídeo (UOL Mais e Youtube) está disponível aqui também.

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Estabilidade ou sentido?

 

Por Daniel Guanaes (*)

Foi na década de 1930 que o mundo ouviu pela primeira vez a definição do ‘sonho americano’. O historiador James Truslow Adams disse que a vida deveria ser melhor e mais próspera, com liberdade e oportunidades para que todos os residentes nos EUA atingissem seus objetivos com seu esforço e determinação.

Em se tratando de propaganda, a maior materialização deste sonho se dava com a conquista do emprego
duradouro, da casa própria e do carro na garagem. Eram indicadores de estabilidade – realidade em busca da qual estavam não apenas os americanos, mas os imigrantes que não paravam de chegar em seu país, em busca de condições melhores de vida.

Para muitos, a possibilidade de viver sem as incertezas do desemprego, as dívidas dos aluguéis e a dependência do transporte público e coletivo era fonte de grande satisfação. Como resultado, não foram poucas as pessoas que fizeram da estabilidade o seu grande projeto de vida. Não apenas nos Estados Unidos, mas também em muitas outras nações, onde pessoas fizeram do modelo do ‘sonho americano’ um ideal para sua jornada.

No Brasil, para algumas gerações que viveram no século XX, as únicas possibilidades profissionais eram o exercício da medicina, engenharia e advocacia, ou o ingresso em uma carreira como servidor público. Não que não houvesse outras opções; mas que elas não eram consideradas como promissoras. Não garantiam estabilidade.

Embalados por este ideal, muitos se aventuraram por jornadas com as quais não sonhavam. Engavetaram sonhos, ouvindo que valeria a pena. A satisfação viria com a casa própria e o carro do ano na garagem – frutos que dificilmente viriam sem um emprego duradouro.

Um efeito colateral desta mentalidade foi a introjeção da ideia de que as realizações na vida se mediam pela quantidade de conquistas materiais que um sujeito era capaz de colecionar. Carros e casas, no plural mesmo, representavam alto grau de satisfação, indicando sucesso profissional e ascendência social. A consumação do Captura de tela 2014-07-30 22.53.25sonho de todo um povo.

Não demorou para que, dentre os que conseguiam obter tais posses, alguns percebessem que a tão almejada estabilidade não tinha relação direta com grau de satisfação. Muita gente com bela carreira, algumas casas e carros, e muito dinheiro se percebia frustrada; não realizada. Alguns descobriram que não era estabilidade o que buscavam. Mas se não estabilidade, o que buscar?

O final do século XX foi palco do começo de uma mudança nos critérios de satisfação pessoal e profissional. Talvez, na verdade, tenha sido mais uma questão de ampliação do que de mudança. A estabilidade, antes fator preponderante nas escolhas quanto ao tipo de carreira a se trilhar e vida a se construir, perdeu força. Encontrou, como elemento equivalente, o fator sentido. Se a primeira dava às pessoas a sensação de segurança, a segunda dava sensação de satisfação.

Parece que o leque de carreiras possíveis cresceu abruptamente. Além da valorização de atividades que antes não estavam em voga, natural com a oscilação e o surgimento de novas demandas do mercado, as pessoas começaram a considerar o que as fazia feliz. Alguém se lembrou de Confúcio: “escolha um trabalho que você ame e não terá que trabalhar um único dia de sua vida”.

É verdade que a máxima do filósofo chinês é uma visão romanceada da realidade. Lidar com o que se ama também dá trabalho. Mas qualquer esforço é atenuado quando se descobre que o que se faz agrega sentido à vida.

Hoje, pais ainda não entendem algumas escolhas de seus filhos – produto de uma geração que pensa diferente da sua. Assustam-se com a facilidade com que deixam passar oportunidades que, em sua análise, seriam a chance de acertar na vida.

Ainda há quem busque estabilidade. Não são poucos. E não há mal nenhum nisso – sendo diversos os benefícios que dela advém. Mas é bom que se perceba que nem todos se satisfazem com a previsibilidade de uma carreira. Pode parecer surreal para alguns, mas tem gente que não sonha com a casa própria. Gente para quem carro não é prioridade. Homens e mulheres que escolheram outro estilo de vida.

Somos gente de todo tipo. Mas, no fundo, precisamos da mesma coisa: sentido.

Difícil explicar.

É como se pedaços do nosso ser estivessem espalhados pelas estradas da vida. À medida que os encontramos – nas atividades que desempenhamos, nos sonhos que materializamos, nas conquistas que fazemos, nos bens que adquirimos, nos abraços que damos, nas viagens que planejamos, nos amigos que firmamos, e em inúmeras outras experiências que fazem bem à mente e ao coração – nos aproximamos da sensação de plenitude que tanto almejamos.

Faz sentido?

 

Será que existe um abismo?

julho 30, 2014 1 comentário

por Daniel Guanaes (*)

Houve uma época em não pegava bem tratar de assuntos de fé em ambiente de trabalho. Não apenas por causa do ditado que ensina que religião, tal qual futebol, não se discute. Também, e principalmente, por que “fé e trabalho não se misturam. Pertencem a mundos distintos.” – diziam.

Será?

Sei que este é um paradigma iluminista. A tentativa de romper com a teologia como ponto de partida para a construção de todos os saberes – prática medieval – relegou toda e qualquer questão relacionada à transcendência a um status de “questão menor”.

Deus, que era a explicação mor para a existência de todas as coisas, passou a ser o argumento dos superficiais. Qualquer reflexão um pouco mais profunda, pensavam, tiraria o elemento transcendente de cena, deixando sobre a mesa apenas a sofisticação daquilo que fosse experimentável.

Não demorou para que a espiritualidade, como uma prática social, praticamente saísse de cena. Ao menos no ocidente, num contexto majoritariamente cristão, quem quisesse praticar a fé que fosse a uma igreja.

Desde a segunda metade do século XX o ocidente ouve sobre a pós-modernidade. É mais do que a inauguração de um novo período. É o anúncio de que os homens neste mundo estão construindo novos paradigmas. Ou recuperando antigos.

Um sábio já disse que o mundo dá voltas. Que o que já se viu ainda se verá, não havendo nada novo debaixo do sol. A história sempre foi assim: embalados pelo ritmo do seu tempo, homens constroem, desconstroem e reconstroem pilares que os auxiliam a enxergar a vida.

Parece que hoje há pilares novos – ao menos se comparados a alguns que a modernidade fincou. Ou antigos, caso se tome outros períodos como referencial.

Ouço e vejo o mundo corporativo aproximar de sua pauta o tema da espiritualidade. Empresas que encorajam seus funcionários, dos mais altos executivos aos que desempenham as funções mais básicas, a “exercitar ou desenvolver sua espiritualidade” – como gostam de falar. Sugerem livros. Propõem reflexões. Inscrevem-se em retiros espirituais.

Vale ressaltar, diga-se de passagem, que este movimento não é o da valorização da religião. Não se trata de proselitismo. Não é chefe entregando folheto da igreja “A”, do centro “B” ou do templo “C”. É um reconhecimento do lugar da experiência da fé na vida humana.

Existe um recado neste movimento. Talvez alguns.

Será que existe mesmo um abismo entre fé e trabalho? Será que as empresas perceberam que a fé é importante na vida de seus funcionários? Reconhecem que tudo aquilo que diz respeito à jornada de um indivíduo de alguma forma afeta seu desempenho profissional? Será que acreditam que a prática espiritual dê às pessoas força e estabilidade para lidarem com os desafios? Supõem que alguém possa render mais quando atento a estas questões? Ou que o transcendente possa fazer parte da construção do imanente?

Das coisas que parecem ter ficado para trás, com as primeiras engatinhadas da pós-modernidade, incluo a ideia de que a satisfação do homem está no produto bruto do seu trabalho. Passa por aí. Mas não demorou muito para que percebêssemos que casa própria, carro na garagem e boa remuneração não são necessariamente indicadores de realização. Existem outras lacunas a serem preenchidas.

Assunto para mais tarde.

Por ora, leio essa aproximação como a resposta a uma demanda humana. O poeta já disse que há muito mais entre céu e terra do que supõe nossa vã filosofia. Existe um movimento, que nos é interno, de diminuição da distância entre estas duas realidades. Se é que há distância que as separe.

 

 

(*) QCaptura de tela 2014-07-30 22.53.25uem é Daniel Guanaes?
Entre as várias coisas boas que minha vida no Rio de Janeiro me proporcionou, está a oportunidade que tive de ser provocado pelas reflexões do Daniel Guanaes, que pastoreia a Igreja Presbiteriana do Recreio.
É pastor Presbiteriano, psicólogo clínico, aluno do programa de doutorado da Universidade de Aberdeen.
Mas é, sobretudo, uma pessoa muito interessada na alma humana. Como tal, dedica-se a compartilhar, com honestidade e objetividade, suas observações cotidianas, questionamentos e propostas de vida. Quem ouve o Daniel, não sai sem algumas minhocas bem animadas passeando pela cabeça.
Como esportista, ainda sobra tempo para pegar umas ondas na Praia do Recreio e trocar uns sopapos e chaves-de-braço com sua turma do jiu-jitsu.
É, definitivamente, alguém que está na galeria daqueles que considero descolados e batutas.
Abusado que sou, ousei pedir a ele que escrevesse sobre um assunto a respeito do qual já pretendi escrever um dia, mas acabei desistindo.
Produtivo que é, respondeu-me imediatamente, com o excelente texto, que tenho o privilégio de reproduzir aqui no blog.