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Leia, leia… Leia!


 

Acabei de ler Refugiados no Oriente Médio, de Talita Ribeiro.

Na verdade, meus leucócitos procrastinadores (eufemismo para preguiça e / ou falta de disciplina) impediram-me de participar do crowdfunding do livro: “… não posso deixar de entrar no site e fazer meu cadastro… vixi… esqueci-me de novo… vixi… passou…”.

Enfim, antes tarde do que nunca. Fui à livraria (Livraria Cultura do Conjunto Nacional) e comprei o livro.

Começando pelas amenidades, é uma obra muito bem feita, com uma programação visual pra lá de caprichada – que dá a impressão de termos nas mãos um diário de viagem, com fotos coladas em todas as páginas, grifos da autora (em “caneta marca-texto” e sublinhados), recortes de informações úteis colados aqui e ali… uma coisa que dá a nítida impressão de que foi feita por quem queria fazer uma coisa bem legal – bem legal mesmo.

Como um “bônus track”, o leitor tem um pequeno manual sobre Turismo de Empatia – definido como “… aquele no qual você decide embarcar em uma viagem ou passeio cujo foco não é conhecer as atrações de um destino, mas sim a realidade das pessoas que vivem no local, suas histórias, sonhos e medos” –, com dicas objetivas e valiosas para quem está decidido a viver sua própria experiência em uma viagem como essa.

Cada capítulo é relatado em uma, duas ou, no máximo, três páginas – com histórias curtas, reflexões e confissões breves. O primeiro capítulo, curto e grosso, tem o título “Você não tem medo?”, em referência à pergunta ouvida frequentemente pela autora quando contava a qualquer pessoa sobre seu plano e objetivo de viagem ao Oriente Médio. Com honestidade e força, Talita descreve cada um de seus medos, concluindo que “… principalmente de como vou reagir ao mundo de novas informações ao qual serei exposta. Sim, tenho medo.”.

Em um registro blogado, a Talita registra seus momentos na viagem, transitando entre sustos, surpresas, sorrisos, lágrimas, histórias, encontros e uma boa dose de lazer – especialmente em Istambul. Você pode, como eu, achar que a história podia ter mais detalhes sobre cada etapa, mas suspeito que isso tenha sido exatamente o objetivo – plantar em mim e em você a ideia de que precisamos vivenciar essa experiência pessoalmente. Acho que ela quer que você e eu queiramos mais.

Devo aconselhar ao leitor que quer aproveitar ao máximo o que a obra tem para dar: Faça o exercício de colocar-se no lugar de cada pessoa de cada história – de quem conta a história, de quem é protagonista em cada episódio, de quem é coadjuvante… e de quem sequer foi citado, mas que, de alguma forma ou de outra, está envolvido com aquela situação. Ou seja: leia com o coração.

Finalmente, preciso compartilhar um sentimento que me acompanhou durante a leitura. Ao passar pelas primeiras páginas, pensei “mulheres precisam ler”; mais adiante, “homens também precisam ler”; um pouquinho mais para a frente, “cristãos precisam ler”; não demorou muito, “muçulmanos, espiritas, umbandistas, budistas… pessoas precisam ler”; mas precisam ler com o coração e as portas abertas para acomodar no coração sem restrições ou barreiras aquele que precisa de nosso carinho, atenção e amor: o outro – quer ele esteja ao alcance de um braço, quer esteja a milhares de quilômetros.

O Gladir Cabral, em sua música Bem Melhor, canta:

Na verdade, ninguém vive só por viver
Mas vive pra outra pessoa
E se faz um ser completo
No instante em que vive no outro
É assim…

É… acho que é assim mesmo.

Leia, leia… Leia!

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Categorias:lendo, pensando
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