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Desafios e oportunidades para o futuro da TV paga no Brasil


Há pouco mais de quatro anos, cheguei ao mercado de TV paga.

Naqueles primeiros meses tudo era novidade. Mais do que isso: tudo era surpresa, porque, diferentemente do ambiente anárquico da Internet, em que havia construído minha carreira nos últimos anos, descobri que o mercado de televisão em geral (tanto a TV aberta, como a TV por assinatura) é terreno extremamente controlado por leis, regulamentos, normas e instruções. De certa forma, isso criou um ecossistema em que há muita competição, muito investimento em tecnologia, mas pouco espaço para (usando um termo que anda na moda) “movimentos de disrupção”.

Depois de muito trabalho e crescimento, há alguns meses, decidi encarar uma nova empreitada, à frente da diretoria de Operações de uma nova operadora de TV por assinatura. A iON TV é um projeto diferente, pois vai permitir que muitos operadores locais de telecomunicações (também chamados de provedores de internet) consigam oferecer seu próprio serviço de televisão por assinatura para seus clientes. O foco principal da iniciativa é levar o serviço ao interior do país, que ainda tem baixíssimos níveis de penetração.

O potencial desse empreendimento é que ele aproveita a força da marca local dos operadores regionais de telecomunicação junto às comunidades locais – oferecendo um atendimento diferenciado e personalizado em um serviço “famoso” por sua falta de qualidade e de empatia quando precisa dar qualquer ajuda a seus assinantes. O provedor local, que “toma café na padaria da esquina com seu assinante” conhece mais intimamente o seu consumidor e suas ansiedades.

Por esse motivo, o projeto tem tudo para ser um sucesso.

Mas, como diria um amigo, “se fosse fácil, era na Bahia”. Aliás, é bom dizer que “nem na Bahia” as coisas são fáceis. Há muitos desafios pela frente, até fazer com que o operador local e a iON TV cheguem bem na casa das pessoas e consigam conquistar sua fidelidade.

Os desafios para o parceiro que vai operar com a iON TV resumem-se a um único tópico: o aprendizado!

E esse é um assunto que, no dia-a-dia, fica complexo, porque, neste caso, o aprendizado é um processo que DEVE acontecer em uma via de mão dupla.

Ou seja, se, por um lado, o parceiro precisa aprender a trabalhar com TV por assinatura e suas armadilhas, a iON TV precisa aprender a conviver com a diversidade desses parceiros, que vêm de todos os cantos do país, com suas características e culturas locais, seus momentos econômicos e sociais. E o desafio aí é entender essa diversidade,  desenhar e desenvolver constantemente um produto que realmente tenha valor para cada um desses empreendedores que acreditaram no projeto.  

Mas, de qualquer maneira, para o parceiro operador, o processo de aprendizado pode dividir-se em três grupos principais:

1) Técnico – o menor deles, uma vez que, a partir de um aprendizado a respeito dos requisitos técnicos, dos padrões de ferramentas e equipamentos e das tarefas em si, torna-se algo que passa a fazer parte do dia-a-dia. Aliás, tem muito parceiro iON que já tem ou teve equipes de instaladores de TV por assinatura.

2) Comercial – aqui, os riscos e os esforços passam a ser maiores, porque o novo operador tem de aprender quais são os principais argumentos que podem convencer uma pessoa a assinar um serviço de TV paga e, ato contínuo, vai precisar aprender o que ele precisa fazer para reter / segurar esse assinante, fiel mesmo diante de promoções e de promessas de novos serviços substitutos ou concorrentes que VÃO aparecer, cedo ou tarde. Aliás, esse é um dos pontos mais evidentes nos quais tanto o operador precisa evoluir quanto a iON TV precisa se preparar para ajudar o operador.

3) Ciclo de Desenvolvimento Orgânico – que é uma palavra “rebuscada” para definir a capacidade de trazer toda a força da experiência que o operador já tem no mercado local e, sobretudo, na dinâmica da prestação de serviços de internet para estabelecer uma sinergia com o produto de TV paga, desenvolvendo novas maneiras de se fazer negócio, inovando em ofertas de produtos, em prestação de serviços, de relacionamento e, quem sabe, de mudanças de paradigmas nesse mercado de TV paga do Brasil. Porque quem estiver preparado para inovar e viver com o NOVO vai ser aquele que vai sobreviver no mercado, que está mudando e mudando muito, porque o consumidor está mudando e exigindo uma TV mais de acordo com suas “medidas” e seus “gostos”, algo diferente do modelo de ofertas padronizadas e, até certo ponto, estáticas da TV paga como conhecemos hoje.

É uma grande oportunidade para quem gosta de trabalhar e tem energia para pensar e ousar fazer diferente. Vou à luta, juntamente com mais um grupo de gente competente e que acredita comigo.

Em tempo: Neste ano, participei de um debate no congresso da ABTA 2014 (Associação Brasileira de Televisão por Assinatura). Após o Painel, em meio a muita conversa, com parceiros, fornecedores e gente do meio, fui convidado a falar sobre desafios e oportunidades do projeto. A resposta, publicada em vídeo (UOL Mais e Youtube) está disponível aqui também.

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Categorias:fazendo, projetos
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