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E agora? Quem assume o bastão?


“Dar o exemplo não é a melhor maneira de influenciar os outros – é a única.”
Schweitzer , Albert

Exemplos são muito fortes para mim. Sempre me impactaram de maneira profunda e decisiva.

Por esse motivo, os últimos tempos foram de grande transformação na minha vida. A perda de três pessoas, que me serviam de referencial, me abalou. Quem tem costume de ler minhas reflexões no blog, deve ter percebido a raridade com que tenho escrito e exposto as idéias por aqui – fruto, muitas vezes, da falta de um farol, em relação ao qual eu possa confrontar minha posição.

Eu senti o golpe. As ausências do Roberto Márcio, do meu pai e do meu sogro, privaram-me dos exemplos presentes de suas vidas, cada um em uma área bem específica. Esses, mais do que falarem, agiram, mudando minha história e de alguns outros.

O amor insistente e abnegado do Roberto pela alma humana (aquela que, inquieta, nos tira o sono e nos faz tomarmos decisões das quais nos arrependemos mais tarde) sempre me causou espanto. A capacidade de ouvir todo e qualquer um que se-lhe aproximasse, honesta ou desonestamente, pedindo um ombro para descansar, um ouvido, uma palavra de alívio ou encorajamento. Impressionante como, para cuidar dos corações, meu amigo sempre encontrava um resto de energia e motivação.

Do meu pai, entre as inúmeras lições que me deixou, sua conduta reta e honesta é a que mais grita dentro de mim. Em sua história, testemunhei oportunidades nas quais, mesmo com o prejuízo pessoal (finanças, relacionamentos, oportunidades), o Velho Brenno manteve sua posição e sua palavra. Sei que outras pessoas podem dar testemunho semelhante sobre ele. Na sua morte após muita luta, do muito que se podia dizer a seu respeito, ouvi com freqüência algo que me encheu e orgulho e esperança: “um homem correto”.

Do meu sogro, que me deixou mais recentemente, grita o exemplo do amor pelo conhecimento. Não o conhecimento como um fim em si mesmo, estéril, como registrado pelo autor do livro de Eclesiastes, quando diz que “Quanto mais sábia é uma pessoa, mais aborrecimentos ela tem; e, quanto mais sabe, mais sofre”. Falo do conhecimento que é aplicado na vida da gente. A leitura, objeto de dedicação e amor, transbordou de tal forma, que se viu obrigado a compartilhar de forma quase compulsiva aquilo que aprendia e pensava. O testemunho “Escrita a lápis” é um pouco do muito que ele nos deixou. Igualmente, foram inúmeras as pessoas que foram ajudadas financeiramente por ele em seu desejo de aprender – fruto de sua crença no saber que transforma.

Enfim, esses se foram. A pergunta, agora, é: quem assume o bastão?

Quem é que vai acolher as pessoas e sua alma carente, independentemente de seu passado desabonador, de seu credo religioso, político ou filosófico? Quem é que vai estar sempre disposto a dar (mais) uma chance a quem não merece?

Quem vai ter a coragem de manter sua palavra a qualquer custo? Quem vai ter a disposição para permanecer ao lado daquelas pessoas com as quais se comprometeu, mesmo com todos os riscos que isso representa?

Quem vai manter a crença de que o conhecimento nos prepara para transformarmos a sociedade em que vivemos? Quem vai estar disposto a receber e compartilhar suas idéias, sensibilizando e aliviando corações?

Esses, a quem chamo de meus “professores da vida” um dia tiveram de assumir o lugar e o papel daqueles cujos exemplos seguiam. Da mesma forma, sinto-me responsável por essas heranças que recebi.

O me foi entregue, estou disposto a assumir, sabedor de que não serei perfeito – assim como meus referenciais também não o foram. Igualmente, ouso dizer que você, meu caro leitor, foi ou tem sido marcado por exemplos igualmente fortes e transformadores, mas que já não estão caminhando conosco neste mundo.

E então… você está disposto a fazer a sua parte?

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  1. fevereiro 19, 2012 às 3:54 pm

    Muito bom texto. Declaradamente sou uma de suas fãs. E reproduzo aqui, as palavras de outro mestre que admiro (o japonês), dias antes de eu sair de férias (numa sala do 3º andar da empresa, sentamos pra conversar, e após ganhar um presente – ele me presenteia com o livro ‘pão diário’ há alguns anos – surpresamente, pediu que eu segurasse suas mãos e “orou” comigo): “Deus te colocou na minha vida para que eu aprendesse algo, e agradeço a ele por isso.” Ele se converteu. Se batiza no próximo dia 04. Gostaria de compartilhar isso contigo. Ah! Quanto ao bastão, acredito que você é um potencial candidato. Um grande abraço. Elenice.

    • lcribeiro
      fevereiro 19, 2012 às 4:03 pm

      Puxa… Muito obrigado pelo incentivo! Vale muito mesmo!
      Vocês mudaram muito a minha vida e minha forma de ver as coisas – acredite!

      Agora, você me deixou sem palavras com essa história que acaba de me contar. O japonês, é um cara muito querido por mim. É uma felicidade saber disso.
      Mande um grande e carinhoso abraço a ele!

      Grande abraço par você, minha amiga, que teve paciência comigo.

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