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Sobre contratos de trabalho


O livro do Gênesis, a partir do capítulo 40, conta a história de um homem chamado José: Levado inicialmente como escravo para o Egito, acabou ganhando a confiança de Potifar, seu senhor, que o estabeleceu como administrador de sua casa.

Inteligente, competente, com uma carreira promissora, não demorou muito para chamar a atenção da esposa do patrão. Mais de uma vez, a patroa serelepe partiu para cima do escravo galã, cheia de más intenções.

Ao assédio sexual, José declara-se consciente da confiança que seu amo lhe devotava, mas completa com uma frase emblemática e reveladora:

Ninguém há maior do que eu nesta casa, e nenhuma coisa (Potifar) me vedou, senão a ti, porquanto tu és sua mulher; como pois faria eu tamanha maldade, e pecaria contra Deus?

Sem o apoio de uma Lei Trabalhista ou da CUE (Central Única dos Escravos), a corda acabou arrebentando para o lado mais fraco. Vítima de uma intriga armada pela mulher rejeitada, nosso herói foi parar na cadeia.

O que me chamou à atenção na resposta de José foi que, apesar de sua condição de escravo submisso e leal a Potifar, ele deixou claro que seu contrato principal era com seu Deus.

Ouso dizer que, mesmo que você não seja religioso ou não compartilhe do mesmo compromisso de José com Deus, é muito provável que, no fundo, o seu contrato de trabalho também não seja com aquele com quem você tem vínculo de emprego ou um acordo de prestação de serviços. Mais do que a responsabilidade para com aquele que remunera seus serviços (seja com salário, seja com o pagamento de uma fatura), no fim do dia, você tem uma prestação de contas consigo mesmo.

Dizem que “o que os olhos não vêem, o coração não sente”. No mundo corporativo, esse ditado é parafraseado com “o que a contabilidade não vê, o bolso do patrão não sente”.

Mas para os bons profissionais, isso não faz diferença. Independentemente das conseqüências, recusam-se a trair seus princípios e não admitem fazer menos do que o que é correto e íntegro.

As empresas precisam de pessoas para as quais um contrato escrito em um pedaço de papel não seja a única garantia de um trabalho honestamente bem feito. Isso faz toda a diferença, porque durante o dia são várias as oportunidades de (aparentemente) pequenas e inofensivas traições.

Enfim, que tipo de profissionais nós temos sido? À noite, quando colocamos a cabeça sobre nossos travesseiros, que tipo de sono conseguimos ter?

Vamos dormir pensando nisso, ok?

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  1. Elenice
    abril 11, 2011 às 12:09 pm

    Esse texto cai como uma luva em ambientes que insistem em ‘negligenciar’ o real ‘contrato’ a ser honrado em suas vidas.

    • lcribeiro
      abril 11, 2011 às 12:16 pm

      É verdade, moça!
      Vinha pensando em escrever isso havia um tempo, pois sinto-me muito desconfortável com esses ambientes sobre os quais você fala.
      Grande abraço!

  2. Frederico Carvalho
    abril 15, 2011 às 7:00 pm

    Gostei do serelepe.
    Há muito que não ouvia esta palavra.
    Muito bem pensado o texto.
    Fred.

    • lcribeiro
      abril 15, 2011 às 8:45 pm

      hahaha!
      pensei em usar também “sirigaita”, mas achei que seria demais.
      um abraço!
      -lau

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