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A apelação da viúva (e a inconfidência do viúvo)


Já falei aqui que o meu sogro é uma figura. O negócio é que, a cada dia, o homem vem com uma novidade. Desta vez, ele relata experiências da sua viuvez recente. Leiam este conto baseado em fatos – já com seu ponto devidamente aumentado e temperado.


A Apelação da Viúva

A viuvez e a solidão são experiências novas; novas e que requerem cuidados para não chegarmos a uma de depressão com todas as suas conseqüências, às vezes graves.

Na minha experiência como viúvo, há alguns meses, estava percebendo que havia mudanças e, uma que quem não é viúvo de maneira nenhuma vive, é o fato que passamos a achar todas as mulheres –todas sem exceção- mais bonitas. O tratá-las de maneira alegre e com cortesia é uma constante que vem, na minha índole, há muitos anos. As minhas amigas, muita vez, se eu as tratava bem, passei a tratá-las melhor ainda.

Gostaria de citar o episódio de Augusta; o nome é fictício, nunca conheci nenhuma Augusta. Augusta, Augustinha para os íntimos, tem um neto: dois anos e meio um menino esperto e lindo ao qual eu chamo de meu neto, como chamo a todas as crianças daquela idade. Ele me chama de vovô.

Neste natal dei presentes para muitos, uma maneira de enfrentar de frente a solidão. Meu neto ganhou uma coleção de cinco estorinhas para crianças, acompanhadas de cinco livretos bem coloridos e cinco CDs. À mãe, que também me é uma grande amiga, dei instruções de como fazer com que o menino crescesse gostando de livros.

Tudo bem: feliz natal, alegrias, sorrisos, beijinhos na face… Aquelas coisas próprias do natal latino. Dois dias depois, já na semana do “feliz ano novo”, novos abraços, beijinhos na face, novas alegrias e Augusta apelou:

-Meu neto me chama de vovó e a você de vovô. Não sei o que meu neto esta querendo.

Não sei o que o neto está querendo mas sei o que Augusta está querendo.

Você que me lê, vai escolher o final desta crônica.

Final “A”. Eu fingi que não entendi, e não há nada pior para uma mulher, e esta em torno de 60 anos, mas isto é válido para todas elas e de todas as idades, do que ela se insinuar e você fingir que não entendeu.

Final “B”. Eu respondi:

-Este menino está precisando de umas boas palmadas!

Final “C”: Eu ponderei:

-Vai ver que este menino é um profeta e está profetizando alguma coisa.

Você dirá que, se eu não tivesse algum interesse maior por Augustinha, eu não devia dar-lhe esperanças, ainda que remotas.

Com essa minha resposta não sinto nenhum remorso. As mulheres são mestres nisso; e eu apenas estou me vingando: fingem que querem, mas não querem; fingem que vão, mas não vão; fingem o sim, quando é o não…

Afinal qual a resposta certa “A”, ”B” ou “C”?

Quando falei que o pequeno poderia estar profetizando alguma coisa, Augusta pulou no meu pescoço e me deu o maior beijo… Na boca!

P.S. Todos os fatos dessa crônica são verdades; exceto o beijo.

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