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Conjugações do verbo amar


Andei relendo uma história que sempre me incomoda.

O profeta Oséias, seguindo uma ordem de Deus, casou-se com uma moça. Não era uma moça comum. Era uma prostituta. Após dar à luz três filhos, o deixou, entregando-se a uma vida de luxúria e promiscuidade. Mais tarde, foi abandonada pelos seus amantes. Acabou pobre, nua e posta à venda no mercado de escravos. Nesse momento, em uma atitude inusitada, Oséias vai à praça e compra de volta a esposa que o havia abandonado.

O objetivo geral do livro é traçar uma analogia da história de casamento, infidelidade e restauração com o os aspectos do relacionamento de Deus com o seu povo escolhido. Sobre isso, você pode ler bons comentários bíblicos – melhores dos que qualquer dissertação que eu possa fazer a respeito.

Quero falar de outra coisa. O livro me chamou a atenção para esse amor impressionante, que é capaz de passar por cima de obstáculos aparentemente intransponíveis. É disso que eu quero falar um pouco.

Meditando no relato de Oséias e nos dias em que vivo, percebo que “Amar” é uma atitude. Assim, devo conjugar esse verbo misterioso e surpreendente em três formas:

  • Presente do Indicativo (eu amo) – As oportunidades para se amar estão todas à minha frente, no presente e na vida real. Manifestações artísticas podem falar de amor e exaltam seus aspectos. Mas amar é uma atitude. Dessa forma, amar no presente do indicativo é perceber em cada circunstância da vida que me cerca, a oportunidade para exercê-lo.
  • Pretérito Perfeito (eu amei) – Relacionamentos construídos sobre amor genuíno têm bases sólidas e persistem nos momentos de dificuldade. Quem amou de forma concreta dá segurança ao amado, pois, mais do que palavras e sentimentos, o amor está legitimado com a força da realidade. Atenção para uma coisa: o pretérito imperfeito (eu amaria) é uma fraude, pois o amor verdadeiro é incondicional.
  • Futuro do Indicativo (eu amarei) – Se estou perdendo a oportunidade de amar no presente do indicativo, ou não o fiz no pretérito perfeito, o futuro do indicativo é a minha grande oportunidade. É uma decisão que vai mudar minha vida: Eu amarei – de forma concreta. Para um procrastinador como eu, vale o alerta: o futuro não é amanhã ou daqui a dez minutos; é logo ali, no segundo seguinte ao que eu estou vivendo.

Mas onde estão as oportunidades para que eu conjugue o verbo amar? Em todo o lugar.

Quando a ofensa e a mágoa foram tão grandes que acabaram criando um abismo, apresenta-se o terreno perfeito para se amar – o perdão é uma das manifestações mais contundentes do amor incondicional. Aqueles minutos do meu precioso tempo que eu nunca tenho para ligar para aquele amigo de quem eu sinto tanta falta também são uma avenida aberta para o poder do amor. As situações do cotidiano que violentam, assustam e excluem as pessoas de uma vida minimamente digna, essas também são oportunidades desesperadas para se amar.

Enfim, enquanto eu não estiver na eternidade, ao lado de Deus (que é amor) tenho oportunidade e obrigação de amar aqui – em todo o tempo e lugar.

Eu poderia falar todas as línguas que são faladas na terra e até no céu, mas, se não tivesse amor, as minhas palavras seriam como o som de um gongo ou como o barulho de um sino.
Poderia ter o dom de anunciar mensagens de Deus, ter todo o conhecimento, entender todos os segredos e ter tanta fé, que até poderia tirar as montanhas do seu lugar, mas, se não tivesse amor, eu não seria nada.
Poderia dar tudo o que tenho e até mesmo entregar o meu corpo para ser queimado, mas, se eu não tivesse amor, isso não me adiantaria nada.
Quem ama é paciente e bondoso. Quem ama não é ciumento, nem orgulhoso, nem vaidoso.
Quem ama não é grosseiro nem egoísta; não fica irritado, nem guarda mágoas.
Quem ama não fica alegre quando alguém faz uma coisa errada, mas se alegra quando alguém faz o que é certo.
Quem ama nunca desiste, porém suporta tudo com fé, esperança e paciência.
O amor é eterno. Existem mensagens espirituais, porém elas durarão pouco. Existe o dom de falar em línguas estranhas, mas acabará logo. Existe o conhecimento, mas também terminará.
Pois os nossos dons de conhecimento e as nossas mensagens espirituais são imperfeitos.
Mas, quando vier o que é perfeito, então o que é imperfeito desaparecerá.

(I Corintios 13:1-10)

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