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O perigo das contaminações no ambiente corporativo


Quando alguém é promovido no trabalho, costumo dizer que ele “ascendeu na cadeia alimentar”. No ambiente corporativo, quanto mais próximo se está ao poder, maiores são os privilégios e as oportunidades de se obter alimentos para subsistência.

Falando em cadeias alimentares, li recentemente um artigo na Deutsche Welle, sobre um fenômeno que está acontecendo com os ursos brancos na região do pólo Norte, ameaçados de extinção devido à exposição a lixo tóxico derramado nas águas geladas do oceano Ártico. A certa altura do artigo, o repórter escreve que esses animais são os mais ameaçados pela contaminação exatamente por estarem no topo da cadeia alimentar daquele ecossistema. O autor resume a situação em uma frase:

Quanto mais alto você está na cadeia alimentar, maior é seu risco de contaminação.

A frase me chamou à atenção. Ursos polares são os primeiros a terem contato com substâncias nocivas e são contaminados. Da mesma forma, aqueles que, no ambiente corporativo, têm posição de liderança, (coordenação, gerência, direção, presidência), correm sérios riscos de intoxicação por venenos corporativos como:

  • Sensação de Poder – É comum vermos alguém que não estava preparado para ser colocado em posição de liderança e acreditar ter sido, enfim, reconhecido em sua superioridade. Daí em diante, acreditar que seja onisciente, onipresente e onipotente é um pulinho. Cedo ou tarde, descobre que esses são atributos exclusivos da natureza de Deus. Às vezes, descobre também que o mundo dá voltas, e que, um dia, aquele que era seu subordinado, pode se tornar seu superior. Nesses casos, a morte é certa e dolorosa.
  • Sensação de Impotência – Há também aquele que, ao primeiro contato com a realidade dos problemas (aqueles dos quais não fazia idéia, quando era apenas uma foca), sente-se inapto para dar conta de tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo. A conseqüência mais perigosa desse envenenamento é uma paralisia nervosa. Os danos causados por essa falta de ação em momentos críticos podem trazer prejuízos em várias dimensões (desde clima organizacional até valores negativos no demonstrativo de resultados). Em situações como essa, é comum o animal não resistir e ter de ser sacrificado, antes que os prejuízos e contaminações sejam maiores.
  • Sensação Neurótica de Responsabilidade – Quem ingere esse tipo de veneno, tem uma sensação de culpa desproporcional àquela que lhe deveria ser efetivamente atribuída. É claro que o gestor deve ter a consciência de que, a responsabilidade (e os méritos) passa sempre por suas mãos. Entretanto, é  exagerado achar que toda a responsabilidade e toda solução só pode vir através da sua intervenção. Um gestor que prova dessa poção aparentemente nobre, mas de efeitos deletérios, pode cometer o erro de não compartilhar os problemas com seus pares e suas equipes. Torna-se líder neurótico e centralizador, também vulnerável ao próximo veneno.
  • Sensação de Solidão – O veneno do isolamento é daqueles que intoxica sem que o paciente perceba o que está acontecendo. Esse tipo de contaminação degenera os relacionamentos e as funções vitais do paciente. Morte agonizante é o prognóstico mais provável.

Finalmente, uma das coisas mais cruéis no envenenamento corporativo é que as poções maléficas dificilmente são ingeridas isoladamente. Em várias situações, uma droga leva à outra.

Em casos extremos, o paciente vai perdendo suas funções vitais e torna-se totalmente vulnerável ao golpe de misericórdia para líderes e executivos: a crença em soluções imediatas, urgentes e milagrosas. Isso raramente existe.

O tratamento para desintoxicação de um organismo tomado por esse lixo é lento, baseado em dieta com muita humildade, cautela e caldo de galinha (*) – o que toma tempo.

Se você é um desses ou conhece alguém que teve contato com alguma desses agentes nocivos, saiba que pode haver tempo de reverter o quadro. Mas é preciso agir com rapidez e muita força de vontade – antes que seja tarde.

(*) Caldo de galinha, neste caso, é o básico trivial – sem estripulias ou invenções.

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Categorias:gestão
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