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Latindo para o cachorro


Embora minha forma física e minha disciplina em relação ao tempo que dedico à prática digam o contrário, eu gosto de esportes.

Entre outras coisas, gosto principalmente porque o jogo cria microcosmos com regras e períodos específicos, onde as pessoas podem exercitar e demonstrar algumas de suas convicções e de seus desejos mais genuínos (mesmo aqueles mais secretos). Além disso, entendo que no jogo é possível que alguns abismos culturais e sociais sejam eliminados ou, pelo menos, diminuidos.

Sei que não estou sozinho. Pelo mesmo motivo, creio eu, milhões de outras pessoas também sentem-se atraídos e fascinados pelo esporte e pelas competições esportivas. Por isso mesmo, campeonatos e jogos tornaram-se um negócio de cifras altíssimas. Se na Grécia antiga os competidores iam para o campo nus, os atletas de competição de hoje são um outdoor ambulante, carregando em seus uniformes e equipamentos grandes marcas – de todo tipo de bem de consumo.

Desde sempre, o esporte proporciona cenas e histórias inesquecíveis e emocionantes – de superação, companheirismo e transformação de realidades. Através de seus exemplos, atletas, treinadores e todos os envolvidos na prática esportiva inspiram-nos com frequência.

Bernardinho - técnico da seleção masculina de voleibol

Nesse sentido, entendo que a seleção brasileira de voleibol sacou “na rede” neste último sábado. Em represália à constituição das chaves do torneio, aparentemente desenhada para privilegiar a Itália, equipes como Estados Unidos e Rússia entregaram seus jogos, para evitar confrontos com equipes mais fortes e favoritas ao título.

Diferentemente do que aconteceu nas duas últimas décadas, Bernardino (o grande comandante das últimas conquistas) e sua equipe resolveram também entregar seu jogo contra a Bulgária. Como resultado, o Brasil caiu em uma chave com adversários mais frágeis na fase seguinte do torneio.

Que pena. Essa turma, que ganhou o respeito e admiração de todos por ousar, fazer diferente, revolucionar o jeito de jogar e o jeito de encarar as competições, resolveu engrossar o coro dos “protestos veementes” contra o regulamento. Perverteram o que entendo ser um princípio básico do esporte, jogando para perder. De quebra, como “efeito colateral”, pegaram adversários mais fáceis nos jogos seguintes. Amanhã, disputa a semifinal, contra a anfitriã Itália.

Como se diz na minha terra,

Quando estou passando na rua e um cachorro late para mim, não faz sentido eu agachar-me e latir de volta. (anônimo)

Eu já falei aqui que os fins não justificam os meios – nunca. Mas percebo que, cada vez mais, são raros os que se arriscam a fazer o diferente – mesmo que o diferente seja o certo. Em qualquer área da vida.

Luto todo dia, a fim de ser sempre um esportista na acepção mais pura da palavra – e não ser motivo de vergonha para aqueles que me cercam.

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