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Um direito que vale a pena


Não sei como vou falar isso. Mas não posso me furtar.

Sou daqueles que, como o meu filho, não se sente confortável em conversar sobre política. Já escrevi aqui que, invariavelmente, ao final de uma discussão desse tipo, sempre saio com a sensação de que ofendi ou de que fui ofendido pelo meu interlocutor. É um defeito que eu tenho e que não consegui consertar até hoje.

Durante o período eleitoral, tenho dificuldade em:

  • Assistir a debate político – com os candidatos querendo “vencer” o evento, como se fosse uma gincana escolar;
  • Ouvir o noticiário político na época de eleição – quando denúncias e acusações dão o tom;
  • Assistir ao horário eleitoral gratuito – quando vemos novelinhas com histórias que querem nos fazer chorar de emoção.

Mas preciso dizer que, como alguém que nasceu em 1964, passou a infância e adolescência nos obscuros anos 70 e assistiu à volta da democracia nos anos 80, olho para trás e vejo que tem valido a pena – apesar de tudo.

Sei que, em quase 30 anos neste novo regime, elegendo de vereadores a presidentes, tive muitas decepções, me escandalizei e me revoltei com gente que me enganou… e também com “gente que nunca me enganou”. Às vezes, cansa, admito.

Entretanto, entendo que o fato de não termos mais o Marronzinho como candidato a presidente, entre outras coisas, é um sinal de que estamos aprendendo a viver e construir um país democrático.

Sou otimista porque vejo amigos e conhecidos manifestando suas convicções e preferências políticas, falando de sua esperança nesse ou naquele outro para serem seus representantes. Não interessa que alguns deles discordem entre si e / ou discordem de mim. É bom ver que nossa terra tem ainda aqueles filhos que não fogem à luta.

No Brasil, o voto é obrigatório. Mas sei que alguns, como eu, entendem que mais do que um dever, o voto é um direito.

A esses, meus votos de um feliz 3 de outubro, manifestando sua opinião com a cabeça e também com o coração. Acho que é isso.

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Categorias:pensando
  1. PAULO ROBERTO COSTA RIBEIRO
    setembro 25, 2010 às 8:41 am

    Tb vejo dessa maneiram Creio que não é só vc., mesmo sendo pré-64, vendo o pessoal
    procurando até por ossadas antes de 64, ou, até um pouco depois disso. É, meu irmão
    temos o mesmo sangue. É isso aí.

    Paulo

  2. Lya
    setembro 25, 2010 às 9:57 am

    Sempre bom saber que ainda tem gente que leva o assunto a sério, como entendo que deve ser. Infelizmente não consigo ser tão otimista: vejo, em sua maioria, brasileiros que manifestam seu orgulho em uma partida de futebol, mas esquecem de fazê-lo na hora de decidir o próprio futuro. Mas fico aqui, desejando por mais brasileiros como vc e menos como eu e essa galera do futebol.

    • lcribeiro
      setembro 25, 2010 às 10:07 am

      hahaha!
      É verdade. Ainda tem muita gente assim mesmo.
      Quanto a mim, nem sempre levo tão a sério – porque, às vezes, me canso e prefiro uma partida de futebol.
      Acho que ainda estamos engatinhando.
      Mas se a gente não achar que dá para fazer uma coisa melhor no futuro, acho que a vida fica muito sem graça.

  3. setembro 26, 2010 às 11:15 pm

    Deixo duas sugestões para quem ainda tem dívida em quem votar:

    1. Durante esta semana acessem o site: http://www.chacaraprimavera.org.br/novo/ e assistam a mensagem gravada do Pr Ricardo sobre nosso papel como cristãos num processo eleitoral.

    2. É dito lá, mas reforçoa aqui, acessem http://www.fichalimpa.org.br e http://www.transparencia.org.br e vote em consulte a vida presgressa do seu candidato.

    Abraços

  4. Aderbal Neto
    outubro 19, 2010 às 9:57 am

    Caro Lau,

    Gostei, como sempre, do que escreveu. Essas eleições serão, para mim, inesquecíveis. E assim serão por razões péssimas, pois eu não esperava tanta baixaria. Minha caixa de emails é bombardeada com mensagens mentirosas, montagens grosseiras e, o que mais me irrita, com comentários de amigos que, alguns eu não sabia, ainda vivem na idade média…

    É fácil entender porque vc iniciou sua mensagem dizendo que não gosta de discutir política em período eleitoral. O nível das discussões está muito ruim. E todo aquele pessoal da ultra-direita, que estava quietinho há algum tempo, voltaram à cena com força total. Acham que são paladinos de uma Guerra Santa. Pensam que estão indo pro Oriente matar os pagãos (tenho certeza que adorariam fazer isso)…

    Haja paciência…

    Abraços

    Aderbal Neto

    • lcribeiro
      outubro 19, 2010 às 10:43 am

      Olha, meu amigo… Tenho de concordar.

      O que me chateia é que o que os candidatos fazem durante as campanhas acaba sendo reflexo do que a sociedade, em sua maioria, está demandando deles.

      E o que me assusta em gerras santas é que, quando menos esperamos, estamos achando normal coisas parecidas como a “Cruzada das Crianças”.

      Mas ainda acho que o voto é um direito que vale a pena.
      Se eu não acreditar nisso, é melhor “pedir para ir ao banheiro” e sair de fininho 😉

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