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Uma certa segunda-feira na repartição


Para Rômulo, seria uma segunda-feira daquelas.

Na véspera, seu Palmeiras tinha levado uma surra de um a zero do Corinthians (entre esses dois times, qualquer “meio a zero” é uma goleada). E nosso heroi tinha de ir trabalhar. Nessas horas, não aparece um Deputado (cambada de gente que não pensa na dor do povo) para propor um projeto de lei que estabeleça ponto facultativo a torcedores de times derrotados na rodada passada do campeonato.

Marília, corintiana, respirava ofegante na porta da repartição. Aguardava o grande momento em que seu colega de trabalho chegaria – com o rabo entre as pernas, como cão medroso. O dia prometia ser glorioso, pródigo em piadinhas e gozações na “porcada”. E Rômulo era daqueles de quem dava gosto tirar uma casquinha.

Abrem-se as cortinas e começa o espetáculo: Rômulo entra no gabinete. Mal coloca os pés na sala e é recebido por Marília, aos brados:

– Ahá! Porco imundo e fedorento! Tomou, papudo! Um a zero ficou barato para aquele timinho semvergonha!

Rômulo sente o golpe, mas não demonstra. Em esforço de interpretação, responde com a serenidade dos profissionais:

– Só tem direito a caçoar do meu time quem, no mínimo, sabe com quantos jogadores um time de futebol começa jogando.
– E você acha que não sei? Onze!
– Onze??? Responde Rômulo com cara de escândalo.
– D-d-d-dez? Chuta Marília, já com a voz trêmula.
– Dez??? Agora, Rômulo parece ter três metros de altura, e cinco de largura.
Em tentativa desesperada e já sem nenhuma convicção, Marília solta baixinho: – seriam doze?
– Ahh! Vê se vai aprender um pouco de futebol para depois vir falar comigo! Passe bem!

E sai vitorioso, cabeça altiva e passos resolutos. Marília fica encolhida em um canto, envergonhada sob olhares desaprovadores dos colegas de trabalho. Mais tarde, acha no Wikipédia a resposta certa – mas, àquela altura, Inês já estava a sete palmos debaixo da terra.

Moral da história: na vida, prepare-se sempre e procure ter certeza das coisas antes de entrar em uma discussão. Caso contrário, na hora da verdade, você pode fraquejar ao primeiro blefe. Pode ser a diferença entre a vitória merecida ou a derrota dolorida e vergonhosa.

E você sabe que, muitas vezes, o que está em jogo é muito mais do que a posição do seu time no campeonato.

(*) Rômulo  e Marília são nomes fictícios. Mas se você os conhece, sabe que qualquer semelhança com fatos não é mera coincidência.

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