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Tecla DEL – aprecie com moderação


Dia desses, eu estava escutando um episódio de Think, um programa de entrevistas de uma rádio texana chamada Kera.

O entrevistado do dia é o Dr. Julian Seifter, médico que escreveu um livro chamado After the Diagnosis: Transcending Chronic Illness , sobre sua experiência em tratamento e acompanhamento de pessoas portadoras de doenças crônicas. Ele mesmo conhece o outro lado da moeda, pois sofre de diabetes Tipo I.

O papo todo é bastante bom. A certa altura da conversa, Dr. Seifter fala sobre uma das maiores dificuldades enfrentadas após o diagnóstico: A de que a vida vai ser diferente dali para frente, pois algumas coisas não podem ser mudadas.

Essa realidade bate de frente com um dos pilares da sociedade pós moderna: a tecla DEL. Frequentemente, ela nos possibilita, muito facilmente, apagar algo que deu errado para poder recomeçar do zero – uma, duas, várias vezes.

A cultura do “errou, apaga e faz de novo” cria o ambiente favorável para aqueles que precisam assumir desafios – e tanto a vida moderna, quanto o mercado e as relações de trabalho estão cada vez mais competitivas e arriscadas. Ao mesmo tempo, acreditar que qualquer coisa pode ser removida de acordo com nossa conveniência é inocência e irresponsabilidade.

Aquele que dirige embriagado, causa um acidente e tira a vida de alguém não pode, simplesmente, apagar os fatos como se fossem um episódio sem graça de seriado que baixou na internet. Da mesma forma, está enganado aquele que prefere ignorar, ir contra ou mesmo se negar a acreditar que as coisas mudaram à sua volta – e que vai ter de aprender a fazer as coisas de maneira diferente do que vinha fazendo há anos.

Enfim, é claro que a tecla DEL pode ser nossa grande aliada. Mas exageros devem ser evitados – como em tudo na vida.

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Categorias:escutando, gestão Tags:, , ,
  1. Frederico Carvalho
    setembro 8, 2010 às 7:06 pm

    Muito bom, LAU.
    Nos meus trinta anos de medicina aprendi que, nas doenças crÔnicas, tudo aquilo que depende do médico é fácil de ser conseguido; tudo aquilo que depende do paciente mudar alguma coisa é sempre mais difícil.
    Sou mais antiquafdo e escrevi uma crônica “Escrita a lápis”. Como seria bom se pudéssemos apagar alguma coisa da vida se ela fosase escrita a lápis.
    Mando-lhe a crônica. Fred.

    • lcribeiro
      setembro 8, 2010 às 8:47 pm

      Que honra ter um comentário seu por aqui!!! Muito obrigado!
      Por favor, mande a crônica correndo. Em breve, vai estar publicada aqui.
      -lau

  1. setembro 15, 2010 às 1:13 am

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