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Jean Piaget, William Booth… E eu com isso?


O psicólogo do desenvolvimento Jean Piaget, disse o seguinte:

… as crianças adquirem conhecimento de forma ativa. Elas aprendem quando as suas ações não correspondem às suas expectativas, querendo isto dizer que estas não são viáveis. (Construção do Real na Criança)

Grosso modo (psicólogos podem falar de maneira mais profunda e precisa), o que ele quer dizer é que o aprendizado real e efetivo acontece quando a criança (ou o indivíduo) se vê diante de uma situação para a qual ele não tem uma resposta pronta. Naquele momento, em situação de crise e incerteza, ele se vê obrigado a estabelecer suas próprias conexões cognitivas, desenvolvendo sua própria história. Em suma, o aprendizado vem do desequilíbrio.

Essa idéia tem sua comprovação mais clara no mundo visível em algo conhecido e corriqueiro para a maioria de nós: o ato de andar. Depois que aprendemos esse movimento trivial, andamos ao jogamos nosso peso para frente, mudando o centro de gravidade do corpo. O equilíbrio se restabelece ao movimentarmos nossa perna também para frente. A seguir, novo impulso, novo desequilíbrio, outra perna se move, e assim por diante.

A partir desse conceito, é impossível não me lembrar das palavras de William Booth, fundador do Exército de Salvação. Montou, em 1864, a Missão Cristã, uma espécie de ONG, disposta a ajudar os miseráveis e marginalizados da sociedade britânica – vítimas dos efeitos colaterais da Revolução Industrial. Seu lema era:

Fé e trabalho devem andar lado a lado, um passo após o outro, como as pernas de um homem andando. Primeiro a fé, depois o trabalho; e depois a fé novamente, e depois o trabalho – até que não se consiga mais distinguir entre as duas coisas.

E eu com isso?

Ora… Assim como um dia aprendi a andar, em uma sucessão desequilíbrios, posso dizer que minhas experiências de aprendizado mais profundas e consistentes aconteceram quando eu me dispus a, em um ato de fé, mover-me em direção ao desconhecido. O trabalho (a outra perna) me deu a oportunidade de experimentar, aplicar, validar, mudar conceitos, estabelecer um novo conhecimento, que transforma a mim e aos que estão à minha volta.

Então… que tal um pouco de desequilíbrio na sua vida? Aproveite: ande, aprenda e transforme.

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Categorias:pensando
  1. Beto
    junho 24, 2010 às 2:32 pm

    Mt bom Lau,

    Gostei muito novamente. Eu como professor só posso concordar com vc.

    Estou tentando me desequilibrar novamente… e vc?

    grd abraço,

    Beto.

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