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Conexões


Em 1993, quando comprei meu primeiro computador pessoal, fiz questão que ele viesse equipado com uma placa de fax modem (àquela época, com a exagerada velocidade de 9600 bps). Em pouco tempo, as pessoas que trabalhavam comigo também tinham seus computadores domésticos e profissionais turbinados com uma placa de comunicação igual ou melhor do que a minha.

Como diria Galvão Bueno (sic), “eu já sabia!”. Desde 1987, quando implantei uma comunicação entre o computador (com uma placa Irma!) da minha seção com o mainframe da empresa para troca de dados do orçamento anual, achava que conexões ainda seriam parte importante do cotidiano do cidadão comum. Naquela época, redes de computadores já não eram novidades, mas eram todas muito arrogantes e mal educadas – uma não falava com a outra. A magia era conseguir estabelecer pontos mínimos de contato entre as redes e integrá-las. A partir daquele ponto, no melhor estilo “por onde passa um boi, passa uma boiada”, descobriam-se novas utilidades e aplicações para aquilo que tinha começado de forma tão frágil. Rapidamente, as integrações se fortaleciam e tornavam-se vitais para operações das empresas.

De lá para cá, vieram a internet, a telefonia celular, as redes sociais… Para mim, são resultados naturais da evolução de grandes esforços que, no passado, resultavam em ligações incipientes e instáveis – mas que, com o passar do tempo, fortaleceram-se e hoje fazem parte da vida das pessoas de maneira inexorável.

Ontem, encarei o desafio de começar a estabelecer mais uma importante conexão. Eu, tão avesso a beijos, abraços e contatos físicos, descobri que, hoje, o único meio de comunicação com a mente lúcida e brilhante de meu pai é a sua mão esquerda. Há quase um mês, ele sofreu um AVC, que comprometeu áreas importantes da atividade cerebral, afetando a fala, o lado esquerdo do corpo entre outras coisas.

Foi um momento de grande desafio, mas também de grande alegria e emoção, pois pude perceber que aquele tênue elo de conexão entre nós pode ser o princípio de algo que se torne forte e intenso a cada dia que passa.

Não sei onde isso vai dar – se haverá progressos e quanto tempo durarão. De qualquer forma, cada vez mais, tenho certeza de que comunicar-se é algo que demanda esforço, dedicação e muita paciência. Mas vale a pena, sempre.

Acredite.

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Categorias:gentes, pensando
  1. maio 30, 2010 às 9:39 pm

    Parabens pelo texto e principalmente pela sabia tentativa de somunicar-se com seu pai diante das dificuldades apresentadas
    Um forte abraço
    Mad

  2. lcribeiro
    maio 30, 2010 às 9:41 pm

    ô, Mad.
    Obrigado pela força.
    Realmente, a idéia do texto é desafiar cada um a esforçar-se por estabelecer conexões, por mais difíceis que sejam esses processos.
    Grande abraço!

    -laercio

  3. maio 31, 2010 às 12:47 pm

    Éééééé, Laércio…

    Essas situações-limite levam a novas conexões consigo, também. Saímos do V.22 pro V42bis, discamos pra um número alternativo, trocamos o modem… Torço pra que o véio Brenno volte a atender à linha, faça um ajuste de paridade e a comunicação seja retomada. Um abraço sáurio,

    Bob

  4. Eliane
    maio 31, 2010 às 2:08 pm

    Lau,
    sem palavras…

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