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O circo chegou – a vidente Daisy e seu marido


Esse post faz parte da série “O circo chegou! Vamos todos até lá!

Os últimos personagens da série são Daisy e seu marido (*). Uma dupla “do outro mundo”.

Cada vez mais, tenho visto pessoas da alta direção recorrendo a livretos, palestras, cursos de preparação de gestores e eventos baseados em princípios e técnicas que combinam auto-ajuda, religião, magia, habilidades sensitivas, filosofia-de-boteco, mitologia grega ou romana e mais um monte de coisa. Esse sincretismo religioso-motivacional-corporativo é uma mistureba que, quase sempre, beira o mau gosto – e, às vezes, é um tanto difícil de engolir.

Não obstante, lideranças em busca de legitimidade procuram convencer seus comandados de suas decisões ou direções usando esses artifícios. A idéia é toda baseada no fato de que, mesmo os agnósticos e os ateus, todo mundo tem certo respeito (ou, pelo menos, dá o benefício da dúvida) para coisas “do além” ou “obscuras”. Dessa forma, abordando preceitos “intermultisotéricos” (este termo não existe, fique tranqüilo), é muito provável que boa parte dos liderados seja sensibilizada ou preste mais atenção à mensagem que a direção quer passar.

Assim, não é de se estranhar a proliferação de consultores e consultorias com um pacote de treinamento nessa linha.

Como no circo real, pode-se divertir um bocado em eventos dessa natureza. Pode-se até aprender algo bem útil. Mas é sempre bom termos em mente que, findo o espetáculo, a realidade é um pouco mais complicada do que o que podem nos trazer Daisy e seu marido.

(*) Essa é uma das rimas mais sensacionais que eu já vi na música brasileira: “E agora, com vocês, a grande cartomante, a internacional Daisy – a mulher do homem que come raio laser”


Nota: Repito que, em determinadas ocasiões, eu mesmo já desempenhei alguns papéis retratados nessa série.

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  1. Marcos Benassi
    maio 24, 2010 às 10:35 pm

    Meu caro, se a Mary Poppins podia cantar o “supercalifragilisticexpialidoso” junto com o limpador de chaminés, bem, “intermultiesotérico” é perfeitamente aceitável 🙂

    Aliás, não há lugar para um personagem Poppiniano aí no seu bestiário? Com o vento (era Leste?) vem, com ele vai; abre o guarda-chuvas, senta-se no corrimão e sobe às alturas; desenha um parque de diversões com giz, na calçada, e faz todo mundo ao redor brincar nesse parque como se fosse verdade. Mas basta uma chuva pro desenho, o parque e o festerê se estragarem todos.

    Creative Commons, todos os direitos de modificação/adaptação concedidos! 🙂

    • lcribeiro
      maio 24, 2010 às 10:38 pm

      Meu grande amigo!!!
      Olha… Vamos fazer o seguinte: fico aguardando ansiosamente sua fábula Poppiniana.
      Assim que vc enviar, publico-a – com os devidos créditos, “of coursemente”.

      Vai ficar muito boa e virá bem a calhar, tenho certeza.

  1. maio 24, 2010 às 9:00 pm

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