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O circo chegou – a orquestra de sapos


Esse post faz parte da série “O circo chegou! Vamos todos até lá!

Essencial para o circo, a performática orquestra de sapos é a responsável por algumas trilhas sonoras do que acontece durante o espetáculo. Sua especialidade é responder, em uníssono, aos comandos da batuta do grande maestro.

O sapo é aquele que não faz parte da trupe original, mas está sempre ali. De um jeito ou de outro, o sapo está em todo lugar, sempre fazendo algo que sabe fazer bem: coaxar.

Nas empresas, o sapo e suas orquestras – que se apresentam em grandes corais ou pequenos grupos de câmara – são aqueles cujo papel ninguém sabe descrever direito. Não obstante, são figurinhas fáceis em reuniões e comissões. Ao contrário do que se poderia imaginar inicialmente quanto mais perdido na discussão, mais o sapo sente a necessidade de falar alguma coisa, de participar. Geralmente, sua opinião ou intervenção é uma ode de louvor à proposta do chefe de mais alta patente do encontro.

Você pode ficar se questionando a respeito da utilidade dos sapos e seus madrigais na organização. A razão é simples e constrangedora. Há pessoas em posição de gestão ou de comando que, simplesmente, não conseguem viver sem uma orquestra bem verdinha e afinada, para corroborar e legitimar suas idéias, projetos ou devaneios.

Infelizmente, para os sapos, claro, após alguns anos de diligentes serviços prestados e um sem número de elogios rasgados aos chefes, alguns encontram triste destino e, assim como na famosa fábula, acabam sendo expulsos da “Festa no Céu”. Despencam de grande altura, esborrachando-se entre os seus semelhantes, virando motivo de escárnio e pena da comunidade. Muitos jamais se recuperam de tamanha tragédia.

Os maestros, esses sempre terão à sua disposição uma multidão de girinos e jovens sapos, prontos a serem selecionados para novas orquestras, e curtirem ainda que fugazes momentos na festa.


Nota: repito que, em determinadas ocasiões, eu mesmo já desempenhei alguns papéis retratados nessa série.

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  1. Sonia Costa
    maio 3, 2010 às 11:33 pm

    Parabéns pela indicação…
    Gosto muito das fábulas, mas ainda não havia tomado conhecimento das “corporativas”. Realmente fantástica!!!
    Abraços.
    Sonia Costa

    • lcribeiro
      maio 3, 2010 às 11:40 pm

      Oi, Sonia. Obrigado pelo incentivo. Realmente, a gente encontra cada figura no ambiente de trabalho… dá muita história.
      Se tiver alguma para compartilhar, manda pra cá…
      Um abraço!

    • lcribeiro
      maio 4, 2010 às 12:00 am

      Em tempo: Vale a máxima…
      Gostou, indica para os amigos; não gostou, indica para os inimigos 😉

  2. Marcos Benassi
    maio 4, 2010 às 12:46 am

    É o La Fontaine contemporâneo!!
    A acidez é progressiva? Vai chegar nos Irmãos Grimm? Nem quero ver na hora que bater o espírito do Andersen, sombrio, vai dar até meda! Que executivo macabro aparecerá? Quais conflitos corporativos – de profunda ordem ética – deverão ser resolvidos? A princesa sereia abdicará ou não da cauda piscina? 😀

    Grande abraço, Laércio!

    • lcribeiro
      maio 4, 2010 às 12:59 am

      Olha, meu fiel amigo… Correndo o risco de tirar a surpresa do grande final… posso adiantar que, no fim das contas (apesar de tudo), assim como o pão, o circo é essencial.
      Então, uma boa receita parece ser o que fazíamos em nossas viagens Campinas-SP: compartilhar e rir, para poder encarar com mais leveza e disposição.
      Que lhe parece?

  1. maio 3, 2010 às 10:51 pm

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