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Marcelo, marmelo, martelo e as siglas


No mundo dos negócios, para quase qualquer coisa que nos cerca, tem uma sigla: EBITDA, CEO, CRM, ERP, ROI, ITIL, SEO… Eu mesmo não resisti em um artigo neste blog, e escrevi sobre a CMC – Catarata Mental Corporativa.

A sigla é um recurso interessante – mas principalmente para quem a cria. Por exemplo, no passado, nomeei um projeto de software que estávamos desenvolvendo como a “COISA” – Common Objects for Integrated System Authentication. Adorava contar para os outros e, diante da expressão de espanto, decifrava a sigla e descrevia (orgulhosíssimo) os conceitos por trás do projeto. Eu achei lindo!

Mas fico pensando: com o passar do tempo, a sigla se espalha, vira um produto, vira moda, cai na boca do povo e, não raro, a idéia principal acaba se perdendo. Triste fim para um acrônimo, inicialmente concebido de maneira tão sábia.

Há muitos anos, li um livro (supostamente infantil) muito interessante, do qual você já deve ter ouvido falar: Marcelo Marmelo Martelo. (de Ruth Rocha). De maneira muito resumida, contava a história do menino Marcelo, que resolveu dar novos nomes a tudo o que o cercava, com um critério baseado na essência mais primária de cada coisa – segundo a sua visão de mundo, obviamente. Na lógica de Marcelo, cadeira deveria chamar-se sentador; travesseiro, cabeceiro; leite, suco de vaca…

Convido-o a refletir se não devemos começar a pensar como Marcelo, revisitando nossas siglas e refletindo no que elas realmente deveriam significar para nós. Assim, por exemplo, quando apresentássemos o EBITDA da operação para nossas equipes, poderíamos fazê-lo dizendo: eis aqui o nosso “será que estamos mesmo fazendo o nosso melhor?”. Poderíamos começar a olhar para o CEO e vê-lo como “aquele que, se não virarmos o jogo, vai cair… mas vai levar alguns de nós com ele”. Ao invés daquele sistema chato, que me faz ter de justificar tudo o que penso em gastar, o ERP passaria a ser “aquilo que nos mostra o que estamos fazendo de errado hoje, e nos ajuda a planejarmos e construirmos um futuro melhor”. E assim por diante…

Creio que, se o fizermos com honestidade, algumas de nossas atitudes podem melhorar a nossa vida, e a de quem trabalha ao nosso lado. PENSE (*)

(*) Minha idéia era concluir o artigo com um acrônimo engraçadinho para “pense”, mas ficou ridículo. Deixa como está.

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Categorias:fazendo, gestão, pensando
  1. Sonia
    dezembro 7, 2010 às 5:27 pm

    Gostaria muito de ter as gravações das músicas referentes ao livro. Tenho uma fita cassete que está com o som danificado pelo tempo.
    Gostaria de saber como obter aquelas músicas novamente, talvez em CD, ou mesmo conseguindo baixar pelo computador.
    Grata

    • lcribeiro
      dezembro 7, 2010 às 6:15 pm

      Olá, Sonia.
      Infelizmente, nunca ouvi as músicas referentes ao livro. Portanto, não sei onde você pode encontrar para comprar.
      Achei o link para download de uma trilha sonora do espetáculo musical para download no 4shared – http://www.4shared.com/file/pbkvoRsW/MarceloMarmeloMartelo__-_2000_.htm
      Mas não sei se esse conteúdo é de domínio público, se pode ser baixado sem problemas.
      Talvez você possa perguntar à pessoa que postou o pacote naquele site.
      Espero ter ajudado.

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