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Em meio à chuva, pegando a contramão


Considerando-se que, nos últimos 17 anos, trabalhei na cidade de São Paulo, viajando para lá diariamente (inicialmente, de São José dos Campos, posteriormente, de Campinas), posso dizer categoricamente: eu entendo de chuvas, enchentes e tudo o que isso significa.

Estou morando no Rio de Janeiro há apenas 3 meses. Na segunda-feira à noite, quando vi o “jeito da chuva” (os pingos enormes, os ventos, a constância), logo considerei que aquela era uma das que “transborda o Rio Tietê”.

Infelizmente, eu estava certo. A partir de então, começou a ser contada a história da tragédia que todos tem acompanhado. Nesses momentos, é comum (e até apropriado) refletirmos sobre as condições de ocupação das áreas urbanas, a capacidade de drenagem das vias, o constante estado de alerta que deve viver aquele que mora às margens de rios, de lagoas, do mar, da nossa fragilidade frente à força da natureza.

Quando juntamos tudo isso, é invevitável pensarmos na parcela de responsabilidade das autoridades, da defesa pública, das pessoas que jogam lixo nas ruas sem o menor pudor (a propósito, leia meu post desabafo Gente Porca) entre outras coisas. Porém, eu quero tomar uma contramão nessa via já congestionada – até porque outros podem reclamar e apontar os problemas com muito mais propriedade do que eu, ainda em processo de conversão “paulista-carioca”.

Apesar de toda a limitação técnica (contingente, equipamentos, tecnologia) e logística (lugares simplesmente inacessíveis), quero dizer que pude ver veículos e profissionais em quase todos os lugares por onde passei. Estavam fazendo um trabalho árduo e competente ao lado da população, na medida (aliás, um pouco além) do possível. Além disso, o serviço prestado pelos meios de comunicação, informando e orientando o tempo todo, provou que tem valor inestimável.

Certamente, alguém dirá que, no bairro A ou B, a coisa não foi assim, que serviços minimamente necessários não funcionaram, que isso, que aquilo. Isso é fato, e seria leviandade negar. Também não dá para nos esquecermos que precisamos entender as responsabilidades (do poder público, da sociedade) por esse caos e por essas mortes sem reparação.

Mas, no momento da adversidade, ouso destacar o lado positivo (até porque, o negativo já está bastante evidente) do esforço, da competência, do comprometimento com as responsabilidades que foram outorgadas a cada órgão / empresa / indivíduo. Isso sem falar na solidariedade, essa virtude que comove e constrange.

E vamos em frente. Obviamente, com o cuidado de tomarmos esse episódio como lição – a fim de entendermos em quê precisamos melhorar. Porque parece claro que desastres naturais desse tipo devem ocorrer no futuro, quer queiramos ou não.

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Categorias:gentes, pensando
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