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Projeto, uma história


Esse é o conto que originou a saga de Projeto – um homem com uma missão

Era uma vez, em um reino distante, uma família.

Projeto, moço de origem humilde, casou-se ainda novo, com Rentabilidade, moça de posses, de família tradicional e influente naquelas paragens. Eram, como se diz, feitos um para o outro – o balaio e a tampa. Com muita dedicação, construíram sua vidinha e tiveram dois filhos gêmeos: o Prazo e a Qualidade.

O Prazo, desde cedo, mostrou-se um rapaz determinado, cheio de iniciativa, inteligente. Às vezes, era tido como pessoa insensível e sem coração, mas, no fundo era bom rapaz. Até nutria uma paixão pela vizinha, a Credibilidade.
A Qualidade era uma moça muito doce, sensível, detalhista e sincera – além de muito bonita. Todo mundo se admirava de sua beleza e não poupava elogios àquela menina que parecia ser feita de porcelana, de tão delicada. Às vezes, demonstrava ser muito mimada. Tinha acessos de ciúmes, principalmente quando percebia que alguém em casa dava mais atenção ao Prazo do que a ela. Não obstante, Prazo e Qualidade eram inseparáveis.

Certa vez, quando a vida corria calmamente, receberam uma visita inesperada da prima Pressa. A Pressa era filha da tia Urgência, viúva do irmão mais velho do Projeto – o Planejamento. Era carrancuda e um tanto amargurada. Dizia-se uma esquecida pela vida.

A Pressa trazia consigo uma carta da mãe, que relatava as dificuldades que as duas estavam passando desde o falecimento do Planejamento. Sentiam muita falta dele. Para complicar, descobriram, no inventário do finado, que estavam com todos os bens hipotecados junto a um influente comerciante daquela região, que era o Senhor Resultado. O homem era implacável e queria, a todo custo, o que lhe era devido – com toda a razão.

Senhor Projeto reuniu a família e conclamou a todos que recebessem a Pressa com todo o carinho e que a tratassem com todo o respeito e consideração. A Pressa começou, então, a fazer parte da vida de todos. Logo começaram a aparecer os primeiros problemas.

Nunca foram ricos. O dinheiro na casa do Projeto não era infinito. Portanto, acomodar a Pressa em casa, significava dividir o suado pão em mais um pedaço. Todos tiveram de abrir mão de um bocado. Prazo não se conformava em ter de ficar fazendo concessões em função da Pressa. De tanto reclamar, conseguia seu bocado de comida por inteiro, que acabava sendo tirado da porção da Qualidade. A Pressa, enfim, era a inimiga da refeição.

Qualidade, muito doce, nada reclamava, mas remoia dentro de si uma revolta. Sempre fora assim, e o resultado, ao final de algum tempo, era sempre uma explosão de fúria e incompreensão. A situação ficava cada dia mais grave. Já estavam todos arrependidos, mas Projeto já havia assumido compromisso com a Urgência. Não dava mais para voltar atrás.

Pouco a pouco, os recursos do Projeto foram sendo consumidos, e os relacionamentos degradavam-se a cada dia. Prazo, muito objetivo, chamou o pai em um canto e expôs a situação. Disse que não se conformava com aquilo, que sua irmã Qualidade estava sofrendo e que aquilo precisava ter um fim.

Argumentou que, com tanta atenção à prima, ele antes tão cumpridor dos seus deveres, tornou-se uma pessoa com dificuldade de assumir compromissos. Neste sentido, até o namorico com a Credibilidade estava abalado. Chegou a ser rude quando disse que não admitia que a falta do tio Planejamento pudesse afeta-los daquela maneira. Assentiu que imprevistos e problemas acontecem, mas Prazo e Qualidade não deveriam ser penalizados por isso. Papai entendeu, mas considerou que a Pressa era o que mais importava naquele momento.

Então, chegou o dia em que receberam a notícia da tia Urgência: ela tinha conseguido saldar suas dívidas com o Senhor Resultado. No mesmo dia, antes mesmo que se dessem conta, a Pressa juntou suas coisinhas e partiu sem um obrigado sequer. Uma ingrata.

Passaram a carregar consigo as marcas daqueles tempos difíceis. Prazo perdeu a Credibilidade, que arranjou moço rico, casou-se e mudou de endereço – tornou-se rapaz amargo e de difícil relacionamento, de quem as pessoas têm medo. Qualidade, em acesso de fúria, culpou aos pais por aquela situação, saiu de casa e foi encontrada dias depois em um bar com os amigos, completamente bêbada. Tornou-se pessoa retraída, tímida, implicante e uma companhia desagradável.

Na casa do Projeto, o amor prevaleceu, mas as coisas nunca mais foram as mesmas.

 

Nota: quando apresentei esse pequeno conto em uma aula de Gerência de Projetos, uma das alunas comentou que havia sentido falta de um personagem – o Importante. Foi, então, que resolvi, escrever os outros contos.

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  1. abril 27, 2010 às 12:10 am

    Gostei muito.
    Obrigada pelo convite e pela sujestão.
    Abçs

    • lcribeiro
      abril 27, 2010 às 12:13 am

      que bom que gostou!
      adicionei seu blog ao “Blogroll”.
      []s

  2. maio 10, 2011 às 6:11 am

    Fantástico.

  3. jucilei
    maio 11, 2011 às 3:10 pm

    Muito, mais, muito bommm!!!!!!!!!!

  1. novembro 12, 2009 às 4:57 pm
  2. novembro 12, 2009 às 5:00 pm

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