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Catarata mental corporativa


A catarata ocular é uma patalogia dos olhos que consiste na opacidade parcial ou total do cristalino ou de sua cápsula.
Há vários fatores desencadeadores conhecidos, como traumatismo, idade, diabetes mellitus, uso de medicamentos, uveíte entre outros.
A consequência mais clara (perdão pelo trocadilho infame) da catarata é o embaçamento visual progressivo.
Atualmente, a técnica cirúrgica de troca do cristalino por uma lente intraocular é o tratamento mais recomendado. Trocou, tá novo!

Nesses últimos anos, trabalhando sempre sob pressão e com equipes heterogêneas, tenho encontrado (cada vez com mais frequência) casos de CMC – Catarata Mental Corporativa – o embaçamento visual progressivo que se abate sobre um indivíduo ou um grupo em uma organização.
Quando você encontra na organização um indivíduo ou um grupo que não consegue enxergar além do seu “próprio quadrado”, cujos interesses (muitas vezes legítimos, honestos em bem intencionados) em projetos ou iniciativas buscam atender somente às suas necessidades, cujo entendimento não consegue considerar outras opiniões, ou mesmo exceções que fujam ao seu modelo formal de operação, projeto ou metologia… provavelmente você está diante de um caso de CMC.

O interessante é que, analogamente, praticamente os mesmos fatores desencadeadores da catarata ocular apresentam-se como inimigos dos portadores dessa anomalia:

  • Traumatismo – Coisas quebradas e mal coladas, tecidos necrosados devido a causas externas e eventuais. Traumas podem causar danos permanentes à nossa personalidade corporativa, fazendo com que nossos mecanismos de percepção e avaliação sejam afetados ou mesmo gerando alguma deficiência permanente. Muitas vezes, a única saída é adequar-se à nova realidade da limitação.
  • Idade – Velhice! Aqui, é necessário dizer que existem pessoas idosas mas mentalmente jovens, da mesma forma que existem pessoas jovens mas mentalmente velhas. Velhice mental é aquela que se abate sobre nós quando achamos que não há nada mais a aprender nessa vida ou nessa organização. Nesses casos, deve-se procurar ajuda urgentemente – pois a consequência mais imediata da velhice é a morte – segundo a minha mãe, a única coisa nesta vida para a qual não há remédio.
  • Diabete mellitus – Aumento anormal de glicose no sangue. A glicose é a principal fonte de energia no organismo. Mas quando presente em excesso, causa vários problemas. Igualmente, o excesso de energia na organização pode fazer com que o indivíduo perceba o restante dos membros como fracos, incompetentes, descompromissados, desinteressantes. Dessa forma, a energia excessiva não tratada, não metabolizada e não canalizada cria aquele indivíduo chato e ranzinza, que afasta as pessoas.
  • Uso de medicamentos – Medicamentos sob prescrição podem ter efeitos colaterais, para os quais o paciente precisa ficar atento. Pior do que isso, auto medicação pode causar efeitos indesejados e incontroláveis. Livros, tendências e recomendações da comunidade, gurus, modelos administrativos, metodologias, políticas, modelo de qualidade… tudo isso pode e deve ser conhecido e levado em consideração para ser aplicado na organização. Mas, como dizia um amigo meu, “nunca deixe de ler a ‘vide bula'” e fique sempre atento a eventuais efeitos colaterais.
  • Uveíte – Inflamação da úvea (de causa infecciosa, autoimune ou idiopática). Causa, entre outras coisas, a sensibilidade à luz. Torna o indivíduo cada vez mais apegado aos recantos obscuros da organização. Se puder ficar o dia inteiro quieto, sem precisar conversar ou interagir com alguém, sem precisar discutir ou argumentar, melhor.

Finalmente, uma coisa difere o portador de CMC do seu correspondente ocular: na maioria das vezes, o paciente não consegue perceber a presença ou o avanço da patologia. Consequentemente, não procura orientação e / ou tratamento. Nesses casos, o sofrimento (desnecessário) pode ser grande e há muito pouco que as pessoas em volta possam fazer para ajudar.

Fica aqui o alerta: se você perceber algum estreitamento no campo de visão ou as coisas em volta estão ficando meio opacas ou disformes no seu departamento ou na sua empresa, procure orientação e diagnóstico.

Em caso de CMC, mande trocar o cristalino, que é o seu jeito de ver as coisas. Vai ser um incômodo e vai exigir adaptação da sua parte – mas é o único tratamento indicado, e que garante uma sobrevida corporativa com muita qualidade.

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  1. Breno
    outubro 22, 2009 às 10:57 pm

    Poxa, quanta verdade!!!!!!
    A cirurgia é o tratamento, radical, assim podemos dizer, pois não tem outro remédio. Pergunto: para a CMC o tratamento é radical também, ou se consegue a cura com doses homeopáticas???……porque acho que é difícil me aguentarem, e também eu aguentar pessoas que, penso, estão com essa deficiência…rsrsrsrs

  2. lcribeiro
    outubro 23, 2009 às 10:11 am

    Olha… entendo que o único jeito é trocar o jeito de ver as coisas – cirurgia radical.
    Aliás, por causa do seu comentário, troquei um pouco a única frase, para deixar claro que não tem jeitinho 😉

    • Breno
      outubro 23, 2009 às 4:44 pm

      Legal…..acho isso também….queria ter a sua opinião…gostei

  1. abril 15, 2010 às 2:28 pm

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