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Pessoas com ubuntu e a sua herança preciosa


Hoje, falar em sistema operacional Linux soa cada vez menos estranho. Dentre os vários sabores Linux, um dos mais famosos é o Linux Ubuntu.

O que boa parte das pessoas não sabe é da origem desse nome estranho. Lendo a documentação do sistema, descobri que é uma palavra originária de duas línguas africanas – a língua Zulu e a língua Xhosa. O mais interessante, entretanto, é o seu significado, que traduz a filosofia do software colaborativo, democrático, livre e justo. Mais do que isso! Ainda segundo a documentação, a palavra ubuntu pode ser traduzida como “a crença em uma ligação universal de compartilhamento que conecta toda a humanidade”.

Arcebispo Desmond Tutu

Arcebispo Desmond Tutu

Segundo o Arcebispo Desmond Tutu, Sul Africano ganhador do Prêmio Nobel da Paz em 1984,“uma pessoa com ubuntu é aberta e disponível aos outros, assistente aos outros, não se sente ameaçada por outros que são capazes ou bons, uma vez que ele ou ela tem uma auto-confiança que vem do saber que ele ou ela pertence a um conjunto maior e é diminuído quando outros são humilhados ou diminuídos, quando outros são torturados ou oprimidos.”.

Quando leio isso, percebo que o que o pacifista descreveu tem tudo a ver com o que o cristianismo (*) conhece como mansidão. Citada em famoso sermão de Jesus (“Bem aventurados os mansos, porque herdarão a terra.” Mateus 5:5), essa virtude tem sido confundida com fraqueza, falta de vontade e até mesmo um conformismo acomodado. Uma visão pejorativa e equivocada.

O filósofo americano Peter Kreeft traz uma outra perspectiva, mais precisa e justa. Segundo ele, o manso é aquele que, a despeito de seu poder, de sua posição, não tem por objetivo exercê-los e torná-los conhecidos de todos.”. A mansidão é, segundo ele, “a força sob controle”. Em outras palavras, ubuntu!

Minha carreira foi toda construída no mundo corporativo. Como gestor, tenho percebido cada vez mais os colaboradores resistentes ao chefe-feitor que impõe-se pela força da intimidação – seja ela moral ou econômica. Por outro lado, estão mais sujeitos e dispostos a caminhar com o líder que estabelece-se através do respeito, da generosidade que divide conhecimentos, méritos e responsabilidades, da capacidade de influenciar através do exemplo e da integridade.

É bom dizer que mesmo bons gestores sofrem com a tentação da prática do estilo “rolo compressor” no ambiente de trabalho. É compreensivo e até legítimo. Principalmente, porque as pessoas estão cada vez mais pressionadas por resultados rápidos e eficazes. Mas sou testemunha que o exercício da mansidão sempre compensa. Quando isso acontece, todos aprendem e ganham.

É a vitória do ubuntu sobre o brucutu!

(*) assim como outras religiões

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Categorias:gestão, pensando
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