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Colocando as barbas de molho (*)


Evito o quanto posso falar de política. Sou incompetente para entender tudo o que está envolvido nessa atividade. Não raro, percebo-me inocente ou intolerante demais. Sempre que me aventuro a discutir com alguém, meu interlocutor e eu acabamos ofendidos ou aborrecidos.

Não obstantemente, apesar de tudo, não dá para ignorar que o processo político e democrático é um instrumento legítimo na construção do país. O mau uso não deve ser motivo para abandoná-lo e ignorá-lo. Por isso, não posso ficar indiferente ao que acontece nesse cenário e não posso me deixar de falar sobre o grande fato do dia.

Hoje, diante da crise do Senado e da postura, no mínimo, questionável do Partido dos Trabalhadores em relação à condução dos fatos, o Senador Aloizio Mercadante anunciou que iria deixar a liderança do partido na casa. Disse: “saio da liderança para disputar, junto à militância, a concepção do PT que eu acredito“.

Obviamente, como parte do jogo (cujas regras e variáveis já me declarei incapaz de compreender), pode ser que ele tenha tomado essa posição apenas para minimizar um estrago maior e comprometer futuras candidaturas. Pode ser também que volte atrás após conversar com o chefe. Pode isso e aquilo… Mas uma coisa me parece certa: é bom o governo “colocar as barbas de molho”.

Admito que não resisti ao trocadilho fácil, com a referência ao Presidente da República, do mesmo partido – e que, para mim, parece ter sido barbudo desde os dois anos de idade. Mas devo dizer também que a frase tem origem em um antigo provérbio, que diz que “quando você vir as barbas de seu vizinho pegar fogo, ponha as suas de molho”.

O Senador pode fazer o que quiser com o provérbio, inclusive ignorá-lo totalmente. Isso é problema dele. Para nós, mortais, creio que o que vale para a política, vale também para outras áreas da vida.

Em determinados momentos, pode ser necessário abrirmos mão de algo que já conquistamos, termos um pouco de cautela e darmos um ou mais passos para trás. Quem sabe para entendermos melhor algo que não estamos conseguindo perceber, quem sabe simplesmente para voltarmos ao ponto em que erramos, consertarmos e voltarmos ao caminho certo. Muitas vezes, aprendermos com o erro dos outros, admitirmos que é necessário recuar, reavaliar e consertar pode ser a melhor coisa a fazer.

Somos tentados a acreditar que os vitoriosos sempre andam para a frente, custe o que custar. Que os vencedores só tem a ensinar, nunca a aprender. Não é assim.

Enfim, convido-o, leitor, a manter sempre um olho no futuro e outro no vizinho – para ver se não é hora de pegar uma bacia e ir enchendo de água. Vai que precisa…

Nota: espero que você não tenha se sentido ofendido ou aborrecido com esse post.


(*) Post Scriptum, em 21 de agosto de 2009, após o anúncio do recuo de Aloizio Mercadante em renunciar à liderança do partido: Senador, cuidado que a próxima barba pode ser a sua!

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Categorias:pensando
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