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Drummond, o homem que morreu de amor


Maria Julieta Drummond de Andrade morreu em 5 de agosto de 1987.

Não sei sequer a sua fisionomia. Na verdade, precisei recorrer ao Google para descobrir seu nome completo. Escritora, Maria Julieta viveu à sombra do pai. Passou os 57 anos de sua vida sendo apenas a filha de um dos maiores poetas brasileiros.

Há pessoas que são assim. Não brilham para todos. Não se tornam célebres ou admiradas por grande número de pessoas. Mas são importantes, essenciais para alguns – apenas para alguns.

Carlos Drummond de Andrade percebeu que tinha a seu lado uma dessas pessoas.  Posso até dizer que é minha conhecida, pois está presente de maneira marcante e constante na obra do seu pai. Foi amada com tal intensidade que, no dia do sepultamento da filha, o poeta disse “E assim vai-se indo a família Drummond de Andrade… não tenho mais futuro, acabou tudo para mim”.

C.S. Lewis disse que “Amar é estar vulnerável”. É a mais pura verdade. Sensível e frágil, o velho Carlos morreu doze dias depois, em 17 de agosto de 1987. Morreu de amor.

(…) Pois de tudo fica um pouco.
Fica um pouco de teu queixo
no queixo de tua filha.
De teu áspero silêncio
um pouco ficou, um pouco
nos muros zangados,
nas folhas, mudas, que sobem.

Ficou um pouco de tudo
no pires de porcelana,
dragão partido, flor branca,
ficou um pouco
de ruga na vossa testa,
retrato.

(…) E de tudo fica um pouco.
Oh abre os vidros de loção
e abafa
o insuportável mau cheiro da memória.

(Resíduo)
Carlos Drummond de Andrade

Aparentemente, essa é uma história triste. Mas não é. Amar e ser amado com força é necessário. O amor deixa marcas que permanecem eternamente e servem de alento e referência para aqueles que ainda o procuram. Amar vale a pena.

Nota: No dia 17 de agosto, Deoclice completará mais um ano de vida. É o meu amor.

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  1. Deoclice
    agosto 8, 2009 às 6:10 pm

    Vidinhaaaaaaa,

    Fiquei emocionada agora!!!
    Muito lindo!!!Brigadinha por tudo…carinho, cuidado, paciência…amor!

    bjinhos

    Acreditem mesmo: “Amar vale a pena”

  2. Andrea
    agosto 8, 2009 às 7:19 pm

    Eu também fiquei… *rs
    E nem era inauguração de supermercado…
    Parabéns aos dois!!!

  3. Luciana de Carvalho
    agosto 9, 2009 às 1:41 pm

    Amar e ser amado é maravilhoso, não temos que ter medo de errar, temos sim que ter medo de não aprender com o erro e cometê-lo novamente!

    Uma pena que as pessoas tenham se tornado egoístas e tão ocupadas ao ponto de esquecer como é mágico esse sentimento !

    que Deus continue os abençoando!

  4. Lya
    agosto 9, 2009 às 9:27 pm

    Lendo esse teu post, tive a tal da sensação ‘bitter sweet’, sabe como é? Li vc declarando seu amor por uma mulher e ouvi um homem que admiro mto declarar o seu desamor pela esposa dele. Ô dia dos pais pesado! Aliás, o que me lembra, FELIZ DIA DOS PAIS pra vc tb! :-)))

  5. Sarinha
    agosto 13, 2009 às 6:50 pm

    Gente, que lindo! Lau, super parabéns pelo texto, vc realmente escreve muito bem e essa sua declaração de amor a Clice me fez lembrar daqueles filmes bem doces e lindos que vejo na TV (tipo “Cidade dos Anjos”). Abalou Bangu! Desculpe a pergunta, mas isso não é mal de nós botafoguenses que vivemos “sofrendo de amor”???????

  1. novembro 13, 2009 às 6:48 pm
  2. março 4, 2010 às 7:21 pm
  3. julho 20, 2010 às 11:00 am

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