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A principal das potências da alma


No princípio, era a palavra “wel”, de origem Proto-indo-européia, que significava querer. Na verdade, um querer profundo – a tal ponto de agir para transformar.

Era tanto o querer, que a palavra cruzou fronteiras geográficas e culturais até transformar-se em “velle”, um verbo na língua latina. Esse verbo, conjugado no presente do indicativo, transforma-se em “volo”.

“Volo” é a raiz para vocábulos com os quais estamos mais familiarizados, como voluntad (em Espanhol) e vontade (em Português). O Moderno Dicionário da Língua Portuguesa (Michaelis) define vontade como A principal das potências da alma, que inclina ou move a querer, a fazer ou deixar de fazer alguma coisa”.

Quem tem vontade, é voluntário. Quem é voluntário, é movido pela principal das potências da alma, a ponto de agir para transformar.

Recentemente, tive o privilégio de dar uma palestra para uma turma de alunos do Projeto Ampliar, um programa que promove a capacitação de adolescentes e jovens (de 14 a 21 anos) para o mercado de trabalho. Sediado na cidade de São Paulo, oferece cursos de informática e rotinas administrativas, comunicação / expressão, além de atividades complementares como visitas a empresas e palestras informativas e motivacionais.

Fui como “voluntário”, para compartilhar a minha experiência profissional e de vida. O tema da palestra foi Olha que a vida tá passando. Esperava falar sobre o tema, torcendo para que os alunos ficassem acordados tempo suficiente para ouvirem e refletirem no que fosse apresentado. Chegando lá, fui surpreendido com uma juventude que não estava lá somente para assistir ou ouvir. Queria (wel, velle) participar e interagir, anotando tudo, opinando e perguntando a todo momento. Foi muito legal ser levado por aquela energia. Descobri também que a turma era o reflexo de, pelo menos, três pessoas que conheci no mesmo dia: Zilma, Erundino e Edson, respectivamente coordenadora e professores do Projeto. No fim, eu, que fui pensando que ia “dar” alguma coisa, recebi muito mais do que tinha a oferecer.

Da mesma forma, aqui em Campinas, há algum tempo, uma equipe de aproximadamente 80 pessoas trabalhou durante meses em um projeto da IBCU, que conduziu 400 crianças durante uma semana do mês de julho em um programa intenso de atividades educativas e recreativas, chamado Programa de Férias. Meu filho, que participou do projeto, está finalizando um material de audio e vídeo com os melhores momentos do programa. Assim que ele terminar, vou postar o vídeo aqui e escrever mais alguma coisa a respeito.

Olhando para esses exemplos, tenho de dizer que estes, sim, são voluntários na acepção da palavra. Investem tempo, saúde e energia no objetivo de fazer diferença e transformar a vida de pessoas – que reconhecem neles exemplo para suas vidas.

Em reconhecimento a essa força (a vontade), convido-o a assistir um dos vários trabalhos dos alunos, apresentados na festa de confraternização e encerramento do Projeto Ampliar.

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Categorias:gentes, pensando
  1. Lya
    julho 29, 2009 às 11:57 am

    Ah, Lupércio! Sei o quanto você gosta de trabalhar com palestras e fiquei mt feliz pela tua oportunidade. E vc tem COMPLETA razão… Sempre que vamos fazer um trabalho voluntário achamos que iremos ajudar, mas o retorno é infinitamente maior. Acho que essa foi uma das maiores lições que já aprendi. Bjo e PARABÉNS pela iniciativa.

  1. fevereiro 14, 2012 às 9:23 pm

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