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E se você nascesse de novo?


Ontem à noite, conversei com meu amigo Roberto.

Desde o dia 12 de janeiro de 2009, quando foi operado para colocar dois pinos de 35 centímetros na coluna, ele começou uma batalha contra um mieloma múltiplo. De lá para cá, muito remédio, muita dieta, muito exame e muito cuidado.

Há algumas semanas, após um exame que não detectou mais existência de células malignas no seu corpo, recebeu um transplante autólogo de medula. Passado o período crítico do pós-transplante, ele teve alta do hospital e me disse: “nasci de novo”.

Já ouvi essa frase de várias pessoas que experimentaram a fragilidade de seus planos em suas vidas – seja por causa de  problemas de saúde, acidentes ou mesmo situações de crise emocional causada por perdas ou situações de limite extremo.

Roberto sempre foi e continua sendo um cara cheio de idéias e planos, empolgado com o que tem para fazer amanhã, com muitos projetos. Mas o que eu percebi quando ele falava ao telefone, foi uma empolgação, uma jovialidade e uma vontade de fazer as coisas que há muito não via nele. Fui contagiado por aquela alegria e disposição.

Fiquei pensando (quem me conhece, sabe que eu tenho esse problema)… As perspectivas trazidas por um transplante bem sucedido como esse são ótimas. Temos confiança de que ele ainda terá bastante tempo de vida para retomar a sua vida, suas atividades.

Mas esse sentido de urgência e importância no uso do tempo que há pela frente é algo que eu percebo nas pessoas que tiveram essa segunda chance (de terem “nascido de novo”). Naqueles que compreenderam melhor a beleza e a importância da luz depois de terem experimentado um pedaço da escuridão.

Será que eu preciso passar por uma situação dessas para entender que, a cada dia que acordo, tenho mais uma chance de fazer aquilo que eu preciso fazer e que depende de mim? Falo de coisas grandes como projetos de vida, mas falo também de coisas pequenas, do meu dia a dia, dos meus compromissos, das minhas tarefas – no trabalho e em casa.

O salmista escreveu “Ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos coração sábio” (Salmo 90:12). Coração sábio é aquele consciente de quanto tempo nos resta (pouco ou muito, não interessa) e do que tem de ser feito.

E se você nascesse de novo? O que você faria? Tem algo esquecido em cima da sua mesa, na sua agenda, na sua gaveta ou mesmo no seu coração?

Quanto a mim, deixa eu começar a olhar em volta e fazer a minha parte.

Nota: Espero que Roberto me perdoe por usar a sua história. Eu só resolvi falar do que essa alegria de vê-lo bem causou em mim.

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Categorias:pensando
  1. Lya
    julho 13, 2009 às 12:44 am

    Por motivos totalmente diferentes tb andei pensando nisso de uns tempos pra cá… Que venham (ou voltem) os projetos, a atenção nos detalhes e, principalmente, nas pessoas que estão sempre ali, verdadeiramente ao nosso lado.

    Boa semana! 🙂

    • lcribeiro
      julho 13, 2009 às 12:49 am

      a idéia foi mais ou menos essa – por motivos totalmente diversos, nos desviamos de algumas coisas.
      fiquei pensando que seria bom eu olhar para esses desvios antes que fosse tarde 😉
      boa semana pra vc tb!

      • Lya
        julho 14, 2009 às 12:45 am

        :-))

  2. Zilma Barbosa
    agosto 7, 2009 às 12:38 pm

    Fiquei muuuuuito emocionada!

    Relembrei de uns 22 anos atrás, quando acometida por um conflito familiar, tive que recomeçar a vida, tendo sob minha responsabilidade três filhas: com 2, 4 e 6 anos respectivamente…
    Hoje minhas filhas estão com 24, 26 e 28 anos, todas com uma boa formação e bem encaminhadas na vida, consegui formar grandes mulheres e sempre tive o universo conspirando a meu favor, regida pela lei da ação e reação.

    Bjs!

    • lcribeiro
      agosto 9, 2009 às 12:52 pm

      Puxa, Zilma.

      Obrigado por ter compartilhado essa experiência.

      Realmente, se ficarmos atentos, a vida nos ensina que as dificuldades (embora amargas) tem o poder de fortalecer-nos para as coisas que temos pela frente – sejam elas mais dificuldades ou oportunidades de ajudarmos a quem está próximo de nós.

      []s

  3. Aderbal Neto
    novembro 16, 2016 às 1:30 pm

    Me peguei lendo esse seu texto hoje… Antes, assisti pelo Youtube um pequeno documentário sobre o Sérgio Pimenta… Ando meio nostálgico, contemplativo… A existência é um mistério enorme, que não se importa em fazer algum sentido.

    • lcribeiro
      novembro 16, 2016 às 2:59 pm

      Rapaz… esta “provocação” sua merece (mais) uma rodada de conversas – sempre em volta de uma mesa, regada a comestíveis e bebíveis… mas, como “lição de casa”, talvez valha a pena refletir no que C.S. Lewis (se não me engano, em sua obra “Cristianismo Puro e Simples”) diz, em igual provocação a quem eventualmente deseja refletir sobre o sentido da vida:

      “Se eu encontro em mim um desejo que nenhuma experiência desse mundo possa satisfazer, a explicação mais provável é que eu fui feito para um outro mundo…Se nenhum dos meus prazeres terrenos é capaz de satisfazê-lo, isso não prova que o universo é uma fraude. Provavelmente os prazeres terrenos não têm o propósito de satisfazê-lo, mas somente de despertá-lo, de sugerir a coisa real. Se for assim, tenho de tomar cuidado para, por um lado, jamais desprezar ou ser ingrato em relação a essas bênçãos terrenas, e, por outro jamais confundi-lo com outra coisa, da qual elas não passam de um tipo de cópia, ou eco, ou miragem.”

      Que tal? 😉

  4. Aderbal Neto
    novembro 17, 2016 às 9:10 am

    Muito boa a sacada do C.S. Lewis…. Tipo, a própria natureza humana indicando que há mais coisas, além do que temos nesse mundo (nesse plano da existência)….

    Mas o dilema ainda permanece pra mim porque, mesmo assumindo que exista o além, mesmo acreditando que exista um Deus que é onipotente, ainda assim continuamos humanos…. E, como não podemos controlar absolutamente nada dos desígnios de Deus, a coisa acaba ficando muito parecido com o “acaso” para nós…

    Há uns anos, na ICE Central, um grupo foi mandado para evangelizar a África (entre eles a Dona Luiza, e outros membros da igreja que são pessoas comuns, e não missionários). Eles ficaram uns 20 dias por lá, se não me engano. Depois que voltaram, uma das mulheres que foram EVANGELIZAR ficou doente e morreu de malária. Foi picada por um mosquito lá na África. Ela se chamava Rute, e deixou 3 ou 4 filhos….

    Casos assim (e tantos outros como o Fernando Caldeira, o Beloni, o Roberto Márcio, Sérgio Pimenta, etc…) nos mostram que nunca conseguiremos entender a lógica de Deus para os seres desse mundo. A vontade Dele simplesmente se cumpre, e nada podemos fazer a respeito…

    E, sob a nossa perspectiva (de meros humanos) isso é muito parecido com o “acaso”, não é mesmo?

    Talvez o negócio seja desistir de tentar achar algum sentido e simplesmente viver do jeito certo… E ficar dentro dessa loteria esperando algo cantar o número da nossa bolinha….

    Mas precisamos refletir sobre isso numa mesa de comidas, ou numa roda de rede, rsrsrsrs…

    • lcribeiro
      novembro 17, 2016 às 11:26 am

      Meu amigo… quando leio isso, penso que você está “prontinho” para participar de um “curso” que eu montei na IBCU, chamado Eclesiastes – Em busca do homem integral.
      De fato, fiquei saudoso de meu tempo como prof. na escola bíblica.
      Durante os 8 encontros, discutimos a busca do homem pelo sentido da vida, com foco em áreas como conhecimento, hedonismo, existencialismo, materialismo, capitalismo / socialismo, religiosidade, estoicismo… sendo que, em cada uma dessas tentativas, o autor encontrou um vazio (termo das traduções mais tradicionais, “vaidade”), similar àquele encontrado dentro de uma bolha de sabão (Salmo 39:5).
      Sob essa perspectiva, as conversas eram muito ricas… com a diferença de que não havia comida sobre a mesa.
      A conclusão… não dá para colocar aqui, resumida… valia a pena ter as conversas (de novo) – até porque, como o tempo passou, talvez seja bom reexaminar o que era nossa realidade há 9 anos (quando montei o curso) e (re)contextualizar.

      Enfim… se você não for dormir tão cedo quanto em nosso último encontro (se não me engano, eram ainda 3:40 h da madrugada), a gente pode colocar esse assunto na pauta. 😉

  5. Aderbal Neto
    novembro 17, 2016 às 3:05 pm

    Ahhhh, é um ótimo assunto pra discutirmos… Obviamente, depois dos debates tradicionais (as fofocas!!!) que são de fundamental importância também…

    Mas se vc tiver paciência e tal, poderia mesmo fazer uma fala resumida sobre esses estudos do Eclesiastes – Homem Integral (e, pros mais frescos, podemos falar sobre o Homem Desnatado tb, ráááá). E aí vc coloca a conclusão que o pessoal chegou, já que fica extenso fazer isso aqui

    Podia mesmo, no próximo encontro, ter um momento pra você conduzir um estudo desse. Não dá pra desenvolver tudo que vcs fizeram nos oito módulos, mas as vezes rola um resumão, uma sinopse, sei lá…

    A gente pede pra mulherada não ficar te interrompendo, rsrsrsrs… Vamos fazer?

    • lcribeiro
      novembro 18, 2016 às 8:49 am

      Olha… se ninguém se incomodar, vamos – depois da pauta essencial, claro!
      Eu não me incomodo. Só vou precisar pensar um pouco em como resumir os pontos essenciais… mas acho que vai valer o exercício. 😉

  6. Aderbal Neto
    novembro 18, 2016 às 11:16 am

    Aêêê…. Deixa comigo que eu levo o retroprojetor e imprimo as transparências, rsrsrsrs…

    Coitado de vc, olha nós (os adolescentes) te dando trabalho de novo, afe… Vamos que vamos…

  1. novembro 29, 2010 às 9:59 pm

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