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Poema é vida vivida – as coisas criadas

fevereiro 24, 2012 1 comentário

… Pois desde a criação do mundo os atributos invisíveis de Deus, seu eterno poder e sua natureza divina, têm sido vistos claramente, sendo compreendidos por meio das coisas criadas, de forma que tais homens são indesculpáveis; (Carta de Paulo aos Romanos, 1:20a)

O trecho acima é parte de um tratado sobre a fé cristã (todo o Capítulo 1 da carta), no qual o autor fala, sobretudo, da sua certeza da existência de Deus, por causa das suas manifestações claras e inequívocas no mundo visível. Assim, um detalhe que me chama a atenção é a afirmação de que Deus se faz conhecido e compreendido “… por meio das coisas criadas”.

Interessante, também, é saber que a palavra grega que originou essa expressão foi poiema (ποιέω), que gerou o vocábulo poema na Língua Portuguesa. No original, ποιέω tinha a conotação de algo como “fruto de um trabalho“. Talvez seja por esse motivo que eu gosto tanto de Procura da Poesia, de Carlos Drummond de Andrade. Ali, o famoso mineiro descreve a gênese de uma genuína obra poética.

Então, pergunto-me: Qual é a poesia que as pessoas que me rodeiam têm lido nas coisas que eu tenho feito? De fato, posso dizer que um Deus de amor pode ser visto claramente nas minhas atitudes e comportamentos?

Também na Bíblia, o autor da carta aos Hebreus, a certa altura, faz uma lista de pessoas, conhecidas como “heróis da fé”, complementando com uma conclusão, no mínimo, inquietante. Ele afirma que aqueles eram “homens dos quais o mundo não era digno”. Quando leio isso, assusto-me ao perceber que, às vezes, eu me encaixo muito facilmente nos padrões de comportamento egocêntrico e da ética egoísta dos nossos dias.

Não é para ser assim. O próprio Paulo, em outra carta, esclarece qualquer dúvida que possa haver quanto à minha responsabilidade de agir de forma digna da fé que professo ter. Novamente, ele usa a palavra poiema, quando se refere a nós, e escreve…

Porque somos criação de Deus realizada em Cristo Jesus para fazermos boas obras, as quais Deus preparou antes para nós as praticarmos. (carta de Paulo aos Efésios, 2:10)

Vivo, então, de forma que cada verso da minha vida seja a expressão inequívoca de que Deus existe e quer o bem de toda a criação. Por isso é que, a cada dia, renovam-se as oportunidades para uma vida que seja um daqueles poemas que merecem ser lidos.

Que Deus me ajude.

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2011 – Ela já vai passar lá no céu

janeiro 18, 2011 3 comentários

Nota:
Hoje, 18/07/2011, o Chicão foi encontrar-se com a Wit.
Fica faltando um pedaço em mim e na minha família.

Eu estava querendo postar algo de “ano novo”. Mas o tempo passou e eu acabei não escrevendo nada que julgasse valioso para publicação. Passou.

Xyko e Denise

Mas tenho um amigo em Campinas, que tem um blog e posta muitas coisas legais. Já havia um tempo que queria publicar algo dele e hoje, quando li a mensagem que ele me mandou, “juntou-se a fome com a vontade de comer”. A conclusão do texto, na minha opinião, é preciosíssima. Então, tomei a liberdade de “copiar-e-colar” o artigo inteiro (espero que ele não se importe).

Leiam o que o Xyko Motta escreveu:

2011 – Ela já vai passar lá no céu

No setor de Pediatria do HC-UNICAMP há um pátio coberto. Da entrada desse pátio, ao olharmos para a esquerda, dá para ver um corredor onde fica a sala dos médicos e lá no fundo, a porta dupla que dá acesso à UTI pediátrica. A equipe de enfermagem costumava deixar pelo menos uma dessas portas aberta para que a Wit (que é como chamávamos a Whittyne Gabrielly) pudesse ver de lá de dentro um pouco de movimento já que ela estava internada ali há alguns meses. Ela tinha 3 anos, uma das crianças mais lindas que já vi, vítima de uma doença terrível e fatal. Nesse dia 1 de janeiro ela faleceu.

Quase todo dia eu parava ali na entrada do pátio e olhava para a esquerda e a via, sentada em seu berço, com as perninhas rechonchudas para fora atravessando a grade de proteção, e me acenando com a mãozinha para que eu fosse lá. Eu ia e já ia assobiando a música do sapo que não lava o pé. A Wit, por sua vez, começava a dançar, e quando a música chegava no “MAS QUE CHULÉ”, ela abanava o narizinho com a mão.

Conversando com a Rosângela, a fisioterapeuta, ela comentou que a Wit sempre, mas sempre mesmo, estava alegre e feliz. E é verdade; eu nunca a vi sem um sorriso no rosto! E olha que ela sofreu!

Doeu a separação, está doendo ainda, mas ela está melhor agora, sem dúvida.

“Jesus disse: Deixai os pequeninos, não os embaraceis de vir a mim, porque dos tais é o reino dos céus.” (Mateus 19:14)

A apelação da viúva (e a inconfidência do viúvo)

janeiro 17, 2011 Deixe um comentário

Já falei aqui que o meu sogro é uma figura. O negócio é que, a cada dia, o homem vem com uma novidade. Desta vez, ele relata experiências da sua viuvez recente. Leiam este conto baseado em fatos - já com seu ponto devidamente aumentado e temperado.


A Apelação da Viúva

A viuvez e a solidão são experiências novas; novas e que requerem cuidados para não chegarmos a uma de depressão com todas as suas conseqüências, às vezes graves.

Na minha experiência como viúvo, há alguns meses, estava percebendo que havia mudanças e, uma que quem não é viúvo de maneira nenhuma vive, é o fato que passamos a achar todas as mulheres –todas sem exceção- mais bonitas. O tratá-las de maneira alegre e com cortesia é uma constante que vem, na minha índole, há muitos anos. As minhas amigas, muita vez, se eu as tratava bem, passei a tratá-las melhor ainda.

Gostaria de citar o episódio de Augusta; o nome é fictício, nunca conheci nenhuma Augusta. Augusta, Augustinha para os íntimos, tem um neto: dois anos e meio um menino esperto e lindo ao qual eu chamo de meu neto, como chamo a todas as crianças daquela idade. Ele me chama de vovô.

Neste natal dei presentes para muitos, uma maneira de enfrentar de frente a solidão. Meu neto ganhou uma coleção de cinco estorinhas para crianças, acompanhadas de cinco livretos bem coloridos e cinco CDs. À mãe, que também me é uma grande amiga, dei instruções de como fazer com que o menino crescesse gostando de livros.

Tudo bem: feliz natal, alegrias, sorrisos, beijinhos na face… Aquelas coisas próprias do natal latino. Dois dias depois, já na semana do “feliz ano novo”, novos abraços, beijinhos na face, novas alegrias e Augusta apelou:

-Meu neto me chama de vovó e a você de vovô. Não sei o que meu neto esta querendo.

Não sei o que o neto está querendo mas sei o que Augusta está querendo.

Você que me lê, vai escolher o final desta crônica.

Final “A”. Eu fingi que não entendi, e não há nada pior para uma mulher, e esta em torno de 60 anos, mas isto é válido para todas elas e de todas as idades, do que ela se insinuar e você fingir que não entendeu.

Final “B”. Eu respondi:

-Este menino está precisando de umas boas palmadas!

Final “C”: Eu ponderei:

-Vai ver que este menino é um profeta e está profetizando alguma coisa.

Você dirá que, se eu não tivesse algum interesse maior por Augustinha, eu não devia dar-lhe esperanças, ainda que remotas.

Com essa minha resposta não sinto nenhum remorso. As mulheres são mestres nisso; e eu apenas estou me vingando: fingem que querem, mas não querem; fingem que vão, mas não vão; fingem o sim, quando é o não…

Afinal qual a resposta certa “A”, ”B” ou “C”?

Quando falei que o pequeno poderia estar profetizando alguma coisa, Augusta pulou no meu pescoço e me deu o maior beijo… Na boca!

P.S. Todos os fatos dessa crônica são verdades; exceto o beijo.

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Depois da festa

dezembro 26, 2010 3 comentários

Nas últimas semanas, talvez você andasse preocupado com os preparativos para os festejos do Natal. Em meio a toda aquela correria, não faltou quem o aconselhasse a “lembrar-se do verdadeiro motivo do Natal”. Como você andava meio sem tempo e também já tinha muita gente encarregada de dar-lhe recados desse tipo, resolvi poupá-lo de mais uma frase feita cristã.

Agora que você já gastou parte do seu dinheiro comprando lembrancinhas para alguns familiares e amigos, já testou sua paciência no estacionamento do shopping center, já matou a saudade de alguns parentes… peço alguns minutos da sua atenção para eu lhe falar um pouco sobre o Natal.

Para quem já escutou a Simone cantando “Então é Natal” algumas vezes na fila do supermercado ou o discurso do chefe na confraternização da firma, prometo que vai demorar menos.

Conta João que

E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai.

Dali em diante, o evangelista narra a história de um homem que escolheu um caminho perigoso e sem volta: Ele disse que era o próprio Deus. Disse também que era o único caminho, a única verdade e a expressão legítima da vida verdadeira e eterna ao lado do seu Criador. Seu nome é Jesus.

Falando dessa maneira, obrigou que todos julgassem de que forma iriam encará-lo: Ou era um louco, que achava que era Deus, ou um trapaceiro (como tantos outros), abusando da fé e da carência espiritual de muitos… ou era mesmo quem dizia ser – Deus!

Eu tenho motivos (que podem ser objeto de outra reflexão no futuro) para acreditar que, de louco, ele não tinha nada. Tampouco era um picareta aproveitador.

Assim, creio que, um dia, Deus se fez homem e veio conviver conosco. Aquele que era infinito, tornou-se finito e limitado como você e eu. Veio, viveu, sofreu, morreu, resssuscitou e falou lá no céu que coloca a mão no fogo (ou no prego) por mim – muito embora me conheça e saiba que eu não sou de confiança. Por Ele, eu virei sócio vitalício do Paraíso – e vou para lá quando terminarem meus dias aqui nessa terra.

Como se não bastasse, Jesus fez mais do que isso. Conta o apóstolo Paulo (em sua carta aos Filipenses) que Ele deixou para mim e para você uma herança preciosa e de muita responsabilidade. Veja o que ele diz

Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz.

Quando Deus diz que abriu mão de ser quem era para se colocar no lugar de um servo, para (em semelhança de homens – como você e eu) ter vontades, sonhos, frustrações, sofrer perdas, dores, necessidades… esse Deus está dizendo, ao mesmo tempo, que é possível que eu faça o mesmo.

Então, para mim, o Natal é tempo também de parar e pensar que, um dia, alguém muito importante se colocou voluntariamente no meu lugar, para saber aquilo por que eu passo – e me ofereceu aquilo que eu precisava e não tinha condições de conquistar. E que o mesmo é esperado de mim: que eu olhe à minha volta e, embora reconheça minhas conquistas e meus direitos, coloque-me no lugar daquele que tem necessidades e limitações que eu não tenho e dê o que lhe falta.

Por isso, espero que você tenha aproveitado bem a festa do Natal. Porque, depois dela, você e eu temos um ano duro pela frente, para fazer com que Jesus não seja somente um personagem da nossa tradição religiosa – mas seja uma realidade que transforme o jeito com que encaramos a nossa vida e a nossa responsabilidade para com aqueles que estão ao nosso lado e que precisam de nós.

Conjugações do verbo amar

novembro 26, 2010 Deixe um comentário

Andei relendo uma história que sempre me incomoda.

O profeta Oséias, seguindo uma ordem de Deus, casou-se com uma moça. Não era uma moça comum. Era uma prostituta. Após dar à luz três filhos, o deixou, entregando-se a uma vida de luxúria e promiscuidade. Mais tarde, foi abandonada pelos seus amantes. Acabou pobre, nua e posta à venda no mercado de escravos. Nesse momento, em uma atitude inusitada, Oséias vai à praça e compra de volta a esposa que o havia abandonado.

O objetivo geral do livro é traçar uma analogia da história de casamento, infidelidade e restauração com o os aspectos do relacionamento de Deus com o seu povo escolhido. Sobre isso, você pode ler bons comentários bíblicos – melhores dos que qualquer dissertação que eu possa fazer a respeito.

Quero falar de outra coisa. O livro me chamou a atenção para esse amor impressionante, que é capaz de passar por cima de obstáculos aparentemente intransponíveis. É disso que eu quero falar um pouco.

Meditando no relato de Oséias e nos dias em que vivo, percebo que “Amar” é uma atitude. Assim, devo conjugar esse verbo misterioso e surpreendente em três formas:

  • Presente do Indicativo (eu amo) – As oportunidades para se amar estão todas à minha frente, no presente e na vida real. Manifestações artísticas podem falar de amor e exaltam seus aspectos. Mas amar é uma atitude. Dessa forma, amar no presente do indicativo é perceber em cada circunstância da vida que me cerca, a oportunidade para exercê-lo.
  • Pretérito Perfeito (eu amei) – Relacionamentos construídos sobre amor genuíno têm bases sólidas e persistem nos momentos de dificuldade. Quem amou de forma concreta dá segurança ao amado, pois, mais do que palavras e sentimentos, o amor está legitimado com a força da realidade. Atenção para uma coisa: o pretérito imperfeito (eu amaria) é uma fraude, pois o amor verdadeiro é incondicional.
  • Futuro do Indicativo (eu amarei) – Se estou perdendo a oportunidade de amar no presente do indicativo, ou não o fiz no pretérito perfeito, o futuro do indicativo é a minha grande oportunidade. É uma decisão que vai mudar minha vida: Eu amarei – de forma concreta. Para um procrastinador como eu, vale o alerta: o futuro não é amanhã ou daqui a dez minutos; é logo ali, no segundo seguinte ao que eu estou vivendo.

Mas onde estão as oportunidades para que eu conjugue o verbo amar? Em todo o lugar.

Quando a ofensa e a mágoa foram tão grandes que acabaram criando um abismo, apresenta-se o terreno perfeito para se amar – o perdão é uma das manifestações mais contundentes do amor incondicional. Aqueles minutos do meu precioso tempo que eu nunca tenho para ligar para aquele amigo de quem eu sinto tanta falta também são uma avenida aberta para o poder do amor. As situações do cotidiano que violentam, assustam e excluem as pessoas de uma vida minimamente digna, essas também são oportunidades desesperadas para se amar.

Enfim, enquanto eu não estiver na eternidade, ao lado de Deus (que é amor) tenho oportunidade e obrigação de amar aqui – em todo o tempo e lugar.

Eu poderia falar todas as línguas que são faladas na terra e até no céu, mas, se não tivesse amor, as minhas palavras seriam como o som de um gongo ou como o barulho de um sino.
Poderia ter o dom de anunciar mensagens de Deus, ter todo o conhecimento, entender todos os segredos e ter tanta fé, que até poderia tirar as montanhas do seu lugar, mas, se não tivesse amor, eu não seria nada.
Poderia dar tudo o que tenho e até mesmo entregar o meu corpo para ser queimado, mas, se eu não tivesse amor, isso não me adiantaria nada.
Quem ama é paciente e bondoso. Quem ama não é ciumento, nem orgulhoso, nem vaidoso.
Quem ama não é grosseiro nem egoísta; não fica irritado, nem guarda mágoas.
Quem ama não fica alegre quando alguém faz uma coisa errada, mas se alegra quando alguém faz o que é certo.
Quem ama nunca desiste, porém suporta tudo com fé, esperança e paciência.
O amor é eterno. Existem mensagens espirituais, porém elas durarão pouco. Existe o dom de falar em línguas estranhas, mas acabará logo. Existe o conhecimento, mas também terminará.
Pois os nossos dons de conhecimento e as nossas mensagens espirituais são imperfeitos.
Mas, quando vier o que é perfeito, então o que é imperfeito desaparecerá.

(I Corintios 13:1-10)

O salmo que saiu de dentro do peixe

novembro 10, 2010 3 comentários

Certa vez, estive em uma aula de escola bíblica inesquecível: Em uma série de estudos sobre o livro de Jonas, o capítulo que registra a temporada do profeta fujão no ventre do peixe me chamou a atenção.

De maneira bem objetiva, o professor José Remígio nos levou a meditar naquele momento muito particular de alguém que foi obrigado a reconhecer, por força das circunstâncias aparentemente irreversíveis e fatais, a total falência do seu projeto de vida. Eu o encorajo a assistir o vídeo da aula, que está disponível online. Vale muito a pena.

No relato, o profeta, em angústia profunda, não viu outra opção a não ser abrir o seu coração para Deus em forma de poema. Um salmo,  forma de expressão comumente usada pelo povo do qual Jonas fazia parte. Quando olhamos atentamente para o que o poeta expõe ali, percebemos  um coração magoado, sem esperança. Como último recurso, apresenta sua rendição ao Deus a quem tinha desobedecido. O texto é rico para o leitor que (como que olhando-se em um espelho), se dispõe corajosa e honestamente, a refletir sobre sua própria vida, convicções e orgulhos.

Ao final, fomos desafiados a escrever o que seria nosso próprio “salmo de dentro do peixe”. O exercício me fez bem. Tanto que decidi compartilhá-lo. Escrevi com a maior honestidade que me foi possível:

Deus,

A minha fraqueza de alma sempre me coloca em apuros.
A minha dificuldade em ser fiel e constante no nosso relacionamento me faz perder a bênção de perceber a sua presença.
Na minha ânisa de viver de acordo com a minha disposição, crio situações para as quais apelo para a sua misericórdia.

O Senhor, ao contrário, me acompanha sempre – mesmo quando eu não estou olhando.
Consertando os meus caminhos tortos – mesmo quando eu não o chamo para caminhar comigo.
No final, transforma a minha teimosia em disposição para o louvor.

Não dá para entener um amor tão grande.
Por isso, eu me alegro e me rendo em gratidão, certo de que o Senhor me acompanha sempre – até o dia em que nos veremos face a face, na sua glória.

Certas canções…

outubro 18, 2010 Deixe um comentário

Certas canções que ouço
cabem tão dentro de mim
que perguntar careço
como não fui eu que fiz.

(Tunai / Milton Nascimento)

Quando isso acontece, é melhor não falar nada – se não, estraga.

Assim, só posso dizer que você não deve deixar de ler e comentar o post do @amebaribeiro, meu filho: Espinhos me fizeram sofrer, Deus me deu forças pra continuar

Espero, sinceramente, que faça diferença na sua vida.

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Todo dia é dia de ser criança

outubro 15, 2010 2 comentários

O dia da criança sempre me traz à memória um episódio da Bíblia, famoso até entre aqueles que não são leitores assíduos:

Traziam-lhe também as crianças, para que as tocasse; e os discípulos, vendo, os repreendiam.
Jesus, porém, chamando-as para junto de si, ordenou: Deixai vir a mim os pequeninos e não os embaraceis, porque dos tais é o reino de Deus.
Em verdade vos digo: Quem não receber o reino de Deus como uma criança de maneira alguma entrará nele. (Lucas 18:15-17)

É das crianças o reino de Deus. É uma ilustração bonita de se imaginar – um céu cheio de crianças correndo e brincando na praça.

Eu entendo que Jesus queria dizer algo mais do que isso. Acho sintomático que o episódio imediatamente posterior a esse das crianças é outro igualmente famoso:

Certo homem de posição perguntou-lhe: Bom Mestre, que farei para herdar a vida eterna?
Uma coisa ainda te falta: vende tudo o que tens, dá-o aos pobres e terás um tesouro nos céus; depois, vem e segue-me. Mas, ouvindo ele estas palavras, ficou muito triste, porque era riquíssimo. (Lucas 18:18-23)

Me parece óbvio que que o relato de Lucas, que destaca os aspectos e a força da humanidade de Jesus (*), pretende evidenciar o contraste entre os dois episódios.

A criança vem de mãos vazias. Não tem nada – apenas a energia e a perspectiva de uma vida pela frente.  Para ela, a história ainda está por ser escrita. A criança precisa de auxílio e não tem nada a perder.

Por outro lado, o homem rico já conquistou muita coisa. Para ele, é difícil abrir mão daquilo que já tem. De certa maneira, ele já provou que pode conseguir as coisas por si mesmo. Voltar a ser como criança parece ser um passo doloroso demais para se dar.

Eu creio que há coisas que só se conquista agindo como as crianças – nada trazendo nas mãos e reconhecendo a necessidade de ajuda. Pode ser o reino de Deus, pode ser a restauração de um relacionamento, pode ser a superação de uma perda, pode ser o direito a um recomeço.

Enfim, todo dia é dia de ser criança.

Abaixo, uma música que tem gostinho de infância – Aquarela, de Vinicius de Moraes e Toquinho.

(*) Cada um dos evangelhos enfatiza um aspecto da vida de Jesus: Mateus – Cristo Rei / Marcos – Cristo Servo / Lucas – Cristo Homem / João – Cristo Salvador

Escrita a lápis

setembro 15, 2010 4 comentários

Que bom se a vida pudesse ser escrita a lápis!

Sim! O que está escrito a lápis pode ser apagado e corrigido, quantas vezes for necessário!

O caro amigo está nos informando que também os computadores nos dão esse recurso: usar o “delete” ou a tecla “insert” e tudo passa a ser corrigido. Mas não vamos ficar com o computador; é coisa moderna, nem todos têm acesso a ele e, além do mais, o computador só chegou em minha vida quando eu tinha 57 anos. Vou escrever minha vida, verdadeiramente a lápis.

Se eu pudesse escrever minha vida a lápis, apagaria algumas coisas.

  • Quando menino, apagaria poucas coisas: apagaria aquele dia em que com os amigos, pela madrugada, retiramos a placa de “Trânsito Impedido” da estrada de rodagem em obras e a colocamos na linha do trem. Era tarde. Eu, Gerson e João não ficamos esperando o trem para ver o que aconteceu.
  • Também apagaria aquele episódio em que Dona Olga, minha professora do primeiro ano primário, hoje primeiro ano do primeiro grau, só valorizava quem dava donativos para sua paróquia. Antes do recreio, fazia uma preleção dizendo que devíamos dar parte do dinheiro de nossas merendas para os pobres, e passava uma sacolinha de pano como se faz hoje em muitas das igrejas. Quanto a mim, que não queria perder a atenção da professora mas não tinha moedas, quando a sacolinha passava, fingia colocar uma moeda na mesma e não colocava nada. Um dia todos estavam duros, ninguém doou nada e minha esperta trama – espertíssima para quem tinha só sete anos – foi descoberta.
  • Na minha adolescência pouca coisa errada eu fiz e nada apagaria. Estar interessado nas pernas da filha da vizinha não era nada errado. Errado seria eu não me sentir atraído. Isto eu não apagaria, ou melhor, até sublinharia este trecho para destacá-lo.
  • E na juventude? Na juventude apagaria aquele trecho em que tive problemas com a família da Zezé. Comecei a namorar a Zezé e ia tudo muito bem, até que descobri que sua mãe era tão ciumenta que rasgava a roupa do marido para que o maridão não saísse à rua bem vestido e fosse alvo dos olhares das mulheres (atenção: o pai da Zezé era extremamente feio). Àquele tempo já estudava genética e psicologia e Zezé começava a dar sinais de ciúmes infundados. Era hora de eu desmanchar o namoro, “rapar fora” como se diz hoje na gíria. A família queria saber o motivo do rompimento. Fui educado e não falei. Todos vieram contra mim como se eu fosse obrigado a namorar e casar com aquela moça. Este episódio eu apagaria. Vamos apagá-lo já.
  • Na vida adulta uma coisa apagaria, é certo que apagaria: o tempo em que fiquei pouco com as minhas filhas. Isto apagaria mesmo, sem qualquer dúvida! Precisava ter ficado mais com cada uma delas, andar mais com elas de mãos dadas na praia, andar mais à beira do rio, vê-las crescerem, ensiná-las tudo que eu soubesse, viajar mais de carro, senti-las mais em minha vida, brincar com as palavras, consertar lhes os brinquedos e fazer brinquedos novos de madeira e papel. Cuidar de seus acidentes: queimaduras, quedas na piscina… Participar das brincadeiras com seus coleguinhas, levá-los mais vezes à escola. Saber, por outros, de seus primeiros namorados. Enfim, queria viver com elas a cada momento de alegria, e pô-las no colo a cada momento de lágrimas.

Esses momentos em que fiquei pouco com elas eu apagaria, é certo que apagaria.

O criador me deu uma borracha, acompanhada de um bilhete onde estava escrito: para apagar os erros da vida. Mas é uma borracha pequena, mínima mesmo, e só dá para apagar um episódio. Apagarei, é certo, o tempo em que fiquei pouco com as meninas.

E você, o que apagaria se a sua vida fosse escrita a lápis?

Por Frederico Carvalho

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A causa de uma vida

setembro 11, 2010 3 comentários

 

Boas histórias me chamam à atenção. Boas histórias bem contadas me são irresistíveis.

Pelo Twitter, minha prima @susie_costa me indicou a leitura do último livro do Philip Yancey. Fui até a livraria, determinado a seguir a indicação. Chegando lá, deparei-me com uma bancada de livros a R$ 19,90. Você há de convir que uma oferta de “livros que não custam nem vinte reais” merece atenção.

Já na “orelha” do primeiro exemplar da pilha, li o seguinte:

Do arco que empurra a flecha
quero a força que dispara;
da flecha que penetra o alvo
quero a mira que o acerta.

Do alvo mirado
quero o que se fez desejado;
do desejo que busca o alvo
quero o amor por razão.

Só assim não terei armas,
só assim não farei guerras,
e assim fará sentido
meu passar por essa terra.

Sou o arco, sou a flecha;
sou o todo em metades;
sou as partes que se mesclam
nos propósitos e nas vontades.

Sou o arco por primeiro;
sou a flecha por segundo;
sou a flecha por primeiro;
sou o arco por segundo.

Buscai o melhor de mim
e terás o melhor de mim,
darei o melhor de mim
onde precisar o mundo.

Marina - A vida por uma causa

Naquele momento, vi que Yancey teria de esperar. Quando me dei conta, já estava deixando a livraria, lendo as primeiras páginas de “Marina – a vida por uma causa”, de Marília de Camargo César.

Além de uma rica viagem por um Brasil que, muitas vezes, teimamos em ignorar, a história é cativante e me jogou em um turbilhão de pensamentos e emoções. Fui do riso ao choro, do espanto à contemplação, da indignação à esperança à medida em que devorava as palavras. O texto parece caminhar na mesma dinâmica em que se move sua personagem principal, fazendo com que se tenha a impressão de que é uma narrativa em primeira pessoa – e muito boa de se ler.

A cronologia e o entrelaçamento dos fatos me fazem crer de que a história de vida de cada pessoa aponta para aquilo que só ela tem de fazer nesta terra. As experiências, relacionamentos, provas a que cada indivíduo é submetido todo dia preparam-no para aquela contribuição que só ele pode dar para a história – pequena ou grande que seja. A maneira como reagimos a esse processo de preparação determina quão boa (ou má) vai ser essa marca que vamos deixar. Marina, ao que me parece, não se nega ao treinamento que a vida lhe impõe.

Assim, convido-o a saborear essa leitura. Aproveite para, à medida em que lê, refletir sobre qual é a sua missão específica – a sua causa -, e de que forma você se prepara para lutar por ela. Esteja pronto para descobrir que nem sempre é algo “grandioso” ou que vai ter impacto direto para multidões. Quem sabe, sua missão não é fazer diferença na vida de uma só pessoa, e que está ao seu lado? Seu irmão, sua irmã, seu marido, sua esposa, seu pai, sua mãe, seu filho, sua filha, seu amigo, seu chefe…

Por fim, quero dizer que meu objetivo, recomendando-lhe essa leitura, não é fazer com que você chegue ao final do livro e decida que vai votar em @silva_marina para Presidenta da República. Sequer proponho discutirmos se ela está “pronta” ou não (o livro trata dessa questão também). Mesmo porquê, sinceramente, não acredito que o fato de, eventualmente, não ser eleita vai fazê-la desistir de suas intenções. Ela vai dar o seu jeito, assim como fazem sempre as pessoas que sonham com força.

Afinal, pelo que pude ver, a “Macaca” não desiste facilmente. É moça, ao mesmo tempo, dura e terna… e leva a vida por uma causa.

Meus irmãos, sintam-se felizes quando passarem por todo tipo de aflições. Pois vocês sabem que, quando a sua fé vence essas provações, ela produz perseverança. Que essa perseverança seja perfeita a fim de que vocês sejam maduros e corretos, não falhando em nada! (Tiago 1:2-4)

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