Sobre aniversários felizes
Aqueles que convivem comigo há muito tempo já devem ter ouvido uma história que eu conto para justificar minha aversão às comemorações de meus aniversários.
Para quem nunca ouviu, conto-a:
Em 19 de março de 1977, acordei com 13 anos de idade. Totalmente adolescente, pensei que minha mãe, meu pai, meus irmãos estavam me preparando uma festa surpresa – porque durante todo o dia ninguém sequer se manifestou para me desejar “Feliz Aniversário”.
Desde o início da manhã, percebi uma movimentação frenética – um entra e sai constante de gente, trazendo bolo, levando salgadinho, telefonando etc. Pensei com meus borbotões: é hoje!
No fim do dia, fui, realmente, surpreendido: houve, sim, uma festa – mas era para o meu tio, que estava voltando à minha cidade, para ser pastor da minha igreja.
Dali em diante, alego que tenho trauma de aniversário.
A história é quase totalmente verdadeira (sem algum tempero, as histórias não têm graça, nem comovem suficientemente). Já o trauma… convenhamos, é uma boa desculpa para meu mau jeito para lidar com abraços, beijos, elogios ou simples cumprimentos.
Entretanto, ao chegar aos 48 anos, recebo muitas manifestações de pessoas que convivem comigo diariamente, além telefonemas e mensagens carinhosas de muitas pessoas queridas que não estão tão perto assim.
Não consigo mais usar a desculpa do trauma.
Aliás, nunca se saberá ao certo se tenho, essa ferida psicológica em minha personalidade ou tudo não passava de mais uma de minhas histórias. Mas, a essa altura, não sei se é tão importante assim.
Então, só me resta dizer que “curti” (o trocadilho infame foi inevitável) este 19 de março de 2012 – por tudo o que recebi daqueles que gostam de mim!
Do mais fundo do meu coração, muito obrigado pelo carinho e atenção para comigo. Não mereço tanto, mas até que gosto – bastante!
Se puderem repetir no ano que vem, vai ser bem legal!
-lau
Em tempo: Meu tio Jango faz, hoje, 35 anos à frente da igreja em São José dos Campos. Esse batalhador se tornou grande companheiro e conselheiro, importantíssimo na minha vida. Muito obrigado e felicidades, Pastor João Arantes Costa!






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